quarta-feira, março 02, 2011

SOFRO

Versos
escrevem-se
depois de ter sofrido.
O coração
dita-os apressadamente.
E a mão tremente
quer fixar no papel os sons dispersos...
É só com sangue que se escrevem versos

de Saúl Dias in "Sangue" -
incluído no livro
"A Alma não é pequena - 100 poemas portugueses para SMS"

O meu comentário???
Sofro hoje.
E não consigo escrever...
Se cansaço, se tristeza....
Nem o coração responde....
Não há chuva, não há vento....
Nada que me faça sentir cinzenta....
Mas eu, hoje, não tenho nada a dizer...
E esse "nada" talvez seja o "muito" a desabafar...


domingo, fevereiro 27, 2011

DESPOJADOS

Na ambígua intimidade
que nos concedem
podemos andar nus
diante de seus retratos.
Não reprovam nem sorriem
como se neles a nudez fosse maior

"Os Mortos" de Carlos Drummond de Andrade (escolhido por Vanuza Pantaleão)

O meu comentário???
Porque estão verdadeiramente esquecidos...
São apenas rostos.
Sem nomes, 
sem histórias....
Sem memórias escritas...
Não podem sorrir,
porque estão tristes...
Estão vulneráveis.....
Despojados
de tudo o que é viver....

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

GOLPE PROFUNDO

a porta entreaberta a prolongar
os teus passos  os castanheiros   a cidade em chamas

a minha voz a prometer-te uma carta
(prometo sempre cartas a quem se perde
entre o meu corpo e os patamares das escadas
de países desconhecidos)

mas tu já não ouviste ou então
tudo tinha deixado de fazer sentido

e eu a pensar ainda
uma palavra tua e eu serei salva

De Alice Vieira, "Dois Corpos Tombando na Água"

O meu comentário???
O que faz ou não sentido no adeus???
Nada....
É um golpe profundo no orgulho...
É o silêncio que se instala...
É a esperança que começa a ser pura ilusão....
A carta que se escreve e não se envia....
Os locais de que nos afastamos,
porque se viveu aqui intensamente....
São os limites que o tempo impõe...
Porque realmente deixa de fazer sentido esperar...
Por quem não quer voltar.....

domingo, fevereiro 20, 2011

ETERNAMENTE

a língua sobre a pele   o arrepio
os teus dedos na escada do meu corpo

as lâminas do amor  o fogo  a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

a palavra mordida entre os lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

da mesma esquina sempre o mesmo olhar
nada do que era teu vou devolver

de Alice Vieira "Pelas Mãos e pelos Olhos eu juro"

O meu comentário???
Não, nunca poderá ser devolvido...
Podemos pintar a casa, 
envernizar o chão...
Escolher outro perfume,
outro padrão para os lençóis....
Até mesmo mudar de casa,
de bairro.....
Mas será inútil....
Porque amar dessa maneira,
marcou-nos o tempo,
o corpo....
Falará connosco,
mesmo que em segredo,
eternamente 

terça-feira, fevereiro 15, 2011

NÃO SER

Lembrar os teus carinhos induz
a ter existido um pomar
intangíveis laranjas de luz
laranjas que apetece roubar.

Teu luar de ontem na cintura
é ainda o vestido que trago
seda imaterial seda pura
de criança afogada no lago.

Os motores que entre nós aceleram
os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão à espera
são o único luto que ponho.

"Bilhete para um Amigo Ausente",
de Natália Correia in "O Vinho e a Lira"

O meu comentário???
Memórias....
Sempre as memórias que ficam...
Dolorosas, sombrias...
Porque é o fim?
O fim de tudo ou só do sonho?
Desse sonho
onde se dançou com a luz...
Rodeada dos cheiros da Primavera....
Ou o adeus ao amor...
Aquele que se evadiu dos corações.....
Por não ser o amor
com que tanto sonhávamos......




quarta-feira, fevereiro 09, 2011

PERDER A COR

Como dizer-te
que povoas o meu sono
ao cair da noite,
quando o dia termina,
despertando sensações
há muito escondidas em mim.

Como dizer-te
que a tua voz me possui,
entrando no meu ouvido,
como seta directa
ao coração.

Como dizer-te
das sensações primeiras
coração aberto
sorriso franco
em sangue quente
que me inunda e me dá alento.

Como dizer-te
que és maré alta
em noite de lua cheia.
Como dizer-te.

Poema de Menina Marota (Otília Martel)
em "Um desnudar de alma"

O meu comentário????
Como dizer-te enfim...
Amo-te, quero-te, desejo-te.....
Como explicar-te
o desnudar do meu corpo??
Como está tudo à flor da pele
e que basta tocares-me....
Para que todo este sangue quente jorre...
Pinte o desejo no meu corpo e te reencontre.....
No cheiro, no suor, na saliva....
Na carne, enfim....
Como dizer-te tudo isso......
se as palavras perdem as cores.....

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

DESERTO DE SENTIMENTOS

REMATE PARA QUALQUER POEMA»

«Passeou pelos espelhos dos dias
suas clandestinas alegrias
que mal se reflectiram desertaram»

In:
«AQUELE GRANDE RIO EUFRATES»
Rui Belo
 
enviado por JPD
 
O meu comentário????
Como posso escrever um poema
se eu próprio sou uma sombra?
Como posso falar no Sol
e na Lua se não os olho de frente?
Como pude deixar que o dia
 se transformasse num pesadelo?
Como a vida se resume
a duas pequenas e ingratas palavras.....
Se fui ingrato para com o que vida me deu....
Ou acreditei demais no que ela me disse.....
Estou desiludido,
sinto-me abandonado....
Não pela vida;
por a ter afastado da alegria
e vivermos, os dois,
num deserto de sentimentos..

segunda-feira, janeiro 31, 2011

ISSO

Por teus olhos negros, negros
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores...
E eles a dizer não.

E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp'rança
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, negros eu os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim...
Nunca mais dizem que não

"Olhos Negros" de Almeida Garrett

O meu comentário???
Os meus olhos são castanhos...
Nunca te perguntei se gostavas deles...
Sempre me olhaste nos olhos...
Sempre me amaste
com os teus bem abertos...
Como se quisesses memorizar
todos os traços do meu rosto....
Se me procuras, se me desejas...
Se eu te quero, se eu te abraço....
Se o que lemos nos olhos um do outro
é a paixão que sentimos....
Basta saber isso.....


sexta-feira, janeiro 21, 2011

UM CRIME

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

De Alice Vieira, "Amor e Outros Crimes em Vias de Perdão"

O meu comentário???
Vazios de amor e de vida....
Os olhos que se fixam no espelho
e não se reconhecem...
Feridos, desiludidos, distantes...
Os ombros estão contraídos;
a boca está seca...
As palavras enrolam-se,
sem sedução, sem sonhos....
E isso é realmente um crime.....


quarta-feira, janeiro 12, 2011

IMPESSOAIS

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, sonhos e lixos,
O horto e os muros só de areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-o
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhosada de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, salas frias.

A minha casa...Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória

de Vitorino Nemésio "A Concha"

O meu comentário???
Nunca devemos fechar a casa aos sonhos...
Ás vezes, é tudo o que enche as salas vazias...
Não se acende a lareira,
porque desapareceu o prazer e o riso...
Há quem esteja orgulhosamente só;
para outros, é estar-se dolorosamente só...
Foge-se e abandona-se a casa
para se esquecer o silêncio ventoso...
O vento é sempre mais forte
quando estamos sozinhos...
Há dias em que não gosto
das memórias da casa...
E só quero som e luz....
Mesmo que impessoais....

quinta-feira, janeiro 06, 2011

APENAS AMOR

A idade não protege contra o amor,
mas o amor, na medida certa, protege
contra a idade

Jeanne Moreau, actriz francesa

O meu comentário????
Porque vivemos intensamente....
Eternamente,
sem culpas,
sem dúvidas....
Aprendemos a estar tranquilos,
 seguros....
Tão velho como o mundo...
o amor...
Seguro de si e nada vaidoso,
se vivido na essência...
Pena que haja quem o confunda
e o trate como banal...
Porque, de banal o amor não tem nada...
É apenas amor.....

segunda-feira, janeiro 03, 2011

AFECTOS

Vento que passas
Nos pinheirais
Quantas desgraças
Lembram os teus ais.

Quanta tristeza,
Sem o perdão
De chorar, pesa
No coração.

E ó vento vago
Das solidões
Traze um afago
Aos corações.

À dor que ignoras
Presta os teus ais,
Vento que choras
Nos pinheirais

Poema de Fernando Pessoa, "Vento que passas"

O meu comentário????
Nem sempre o Vento nos afaga....
Assusta-nos....
Grita
como se a culpa fosse nossa....
Ou será que
quer apenas atenção???
Poderá estar tão só como nós...
A fúria ser as lágrimas
que se escondem o nosso olhar....
Não haver nada de vago
e assustador...
Porque somos apenas
almas à procura de afectos...



quarta-feira, dezembro 29, 2010

VIAGEM SEM FIM

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem avançar.
Que vai de céu em céu.
De mar em mar.
Sem nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas de ventura
De me procurar...

"Viagem" de Miguel Torga, Diário XII

O meu comentário???
Uma viagem sem fim...
Nunca nos conhecemos totalmente.....
Nunca dizemos tudo....
Entregamos a vida ao Vento.....
Vagueamos com ele,
libertamo-nos dessa amargura que fica...
Quando tudo desaparece
e ficamos sós....
Chora-se, grita-se, lamenta-se...
E continuamos à procura....
De quê???
Um sentido,
uma palavra de alento,
uma esperança..........
No tempo, na vida....

sábado, dezembro 25, 2010

MOMENTOS MEMORÁVEIS

Foi bonito
O meu sonho de amor
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa Primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais

"Frustração" de Miguel Torga, Diário XV

O meu comentário???
Não há paixões tardias....
Há apenas paixões...
E momentos para viverem em nós....
Às vezes, espera-se demais
e elas fogem....
Outras, encostam-se devagar....
E descobrimos um labirinto de emoções desconhecidas...
Que percorrem os corredores da vida,
afastando essas ironias
e essas deslealdades...
Por momentos memoráveis......



quarta-feira, dezembro 22, 2010

PRINCIPE ESFARRAPADO

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um princípe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

"Natal Chique" de Vitorino Nemésio

O meu comentário???
Não tenho pressa...
O tempo que tenho dedico-o
ao meu princípe esfarrapado...
Perdido em memórias
que não são bem memórias...
O tempo não é nada;
o mundo...o que é o mundo?
Não sei responder,
porque não há palavras....
Há, sim, amor e dedicação....
Todos os dias do ano,
sem excepção....
O meu princípe esfarrapado é o meu Pai....
88 anos,
doente de Alzheimer.....

O "Com Amor" deseja-vos um Feliz Natal e um Bom Ano 2011....



domingo, dezembro 19, 2010

A ÚNICA COISA

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha espera...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E só tivesse o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena..

"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada" de Alberto Caeiro

O meu comentário????
O sabor amargo da derrota...
O desalento e a tristeza tão latentes...
Nas lágrimas que sinto
em cada uma das palavras...
Porque também olhei para trás
e tive pena....
Não é para trás que devemos olhar;
é caminhar em frente...
Disfarçar a dor num sorriso,
que hoje não está no olhar,
mas amanhã quem sabe???
São pequenos passos,
pequenas vitórias,
 mas acontecem....
E valem a pena,
porque nos ensinam
que a única coisa de que devemos ter pena
é termos perdido tempo....
A ter pena de nós próprios....




terça-feira, dezembro 14, 2010

CHEIROS, EMOÇÕES E SENTIMENTOS

Ás vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe.
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então, porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis,  vêm ter comigo as mentiras dos homens.
Perante as coisas.
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o vísivel!

"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta" de Alberto Caeiro

O meu comentário???
Claro que significa...
Sem a beleza, as mentiras dos homens
seriam ainda mais duras...
A luz deixaria de ser perfeita
e o simples não existiria....
Não é o visível que se procura;
é o que está por detrás desse visível....
Muito mais que a forma e a cor....
É o assimilar dessa forma e dessa cor....
Em cheiros, emoções, sentimentos....

quinta-feira, dezembro 09, 2010

RIMAS VERDADEIRAS

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor.
Mas com menos perfeição
no meu modo de exprimir-me.
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me.
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado.
E a minha poesia é natural como levantar-se o vento.

"Não me importo com as rimas" de Alberto Caeiro

O meu comentário???
É simples e é divino....
Exactamente por isso...
Por ser natural e falar com alma...
Da cor das flores,
das lágrimas que insistem em espreitar...
Do vento que nos acaricia
e nos enlouquece...
Da fantasia que rompe a escuridão...
Do simples acto de respirar
e estar presente....
Em rimas verdadeiras....

segunda-feira, dezembro 06, 2010

TOLERANTES

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou a pedra que rola nas marés
do mundo, em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha da vida,
sou construção e desmoronamento, servo e senhor
e sou mistério.
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco da minha vida; o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério.

"Convite" de Lya Luft (Santa Cruz do Sul, RS, n.1938)

O meu comentário???
O verdadeiro mistério...
é saber como continuamos vivos...
Se dominamos o mundo
ou se ele nos domina.
Se vamos encontrar resposta
para todas as questões
ou só para algumas.
O que é o destino?
Que papel desempenhamos nele?
Talvez seja a loucura
ou a tolerância.
Ou a resposta esteja no
respeito.
Por aquilo que somos...
Mesmo que sejamos
a tal pedra, escondida
na areia e que
se atira novamente
para o mar....

sexta-feira, novembro 19, 2010

TÃO MAL

Il recuille toute la beauté
Qui l'entoure aux creux de ses mains
Il prend le chemin de la liberté
Et il fait un voyage lá au loin.

Partir en vérité ou en rêve?
Il doit choisir une seule solution
La vie est tellement brève
Qu' il ne se fasse pas d'illusion!

Qu'il soit prudent ou intrépide
Il doit prendre cette décision,
Qu'il danse ou vole comme une sylphide
Il décide de sa propre évasion.

Qu'il ne regarde pas en arriére
Et emmène tous ses souveniers
Ceux de sa vie toute entière
S'il ne pouvait au départ revenir.

Rencontrera-t-il l'amour?
Sera-t-il sur son passage?
Qui sait si un beau jour
Il trouvera de lui un message.

Comme un Songe dans une nuit d'Été,
A force de chercher dans les contes,
Il oublie que ce sentiment, l'amitié
Est très souvent laissé pour compte.

Reveille-toi, mon cher ami
Ouvre tout grands les yeux.
Car c'est moi qui te le dis
Aveuglé jamais tu le perçois.
Ton regard tourné vers les cieux
Que le bonheur est devant toi

"Liberté ou prison des rêves" par Verdinha (Blog "Je vois la Vie en Vert")

O meu comentário???
A verdade é que não queremos acordar...
Acreditar que a realidade é tudo,
menos aquele sonho fantástico...
Procura-se no sonho a paz
 que não se encontra no mundo...
Sem que se saiba qual é o destino....
Sem termos forças
para decidir o nosso papel...
Não mudamos nada na nossa vida
e as memórias são sonhos inúteis...
Porque nem sequer
sonhamos felizes....
Escapa-se apenas....
e continuamos prisioneiros....
Como é que a vida
nos pode tratar tão mal?