sexta-feira, março 09, 2012

MOMENTOS ETERNOS

Em dias como hoje

as palavras atam-me o pensamento

Fico incapaz de falar



Por isso escapo ao Mundo

Fotografo sombras no nevoeiro

Os contrastes da solidão



Nas silhuetas

Na forma dos objectos

Nos cheiros mais intensos



Momentos eternos

Vistos pela objectiva da Máquina



FOTO DE AUTORIA DE JOSÉ ALEX GANDUM “SOMBRAS NO NEVOEIRO”

terça-feira, março 06, 2012

CANSADO

Estou velho e cansado.
O casco está podre e o mastro partido.
E os sonhos de ser um veleiro,
um navio de cruzeiro,
já nada significam.
Nunca me afastei desta praia
e estou a morrer aqui.
Na areia que tantas vezes beijei,
amei perdidamente por saber
que podia não regressar.
Este não é um regresso de herói.
Sobrevivo apenas.
Preso nas sombras do nevoeiro...




FOTO DE AUTORIA DE JOSÉ ALEX GANDUM 

sexta-feira, março 02, 2012

ESTRANHA

Dizem os indígenas
que, com todas estas maquinetas,
nos roubam a alma.
Talvez seja por isso que eu desapareci,
já que foi roubada a minha alma.
E o meu corpo?
Ficou preso
neste retrato a preto e branco.
Vejam as minhas vestes pretas e pesadas.
Estes olhos grandes, igualmente negros,
numa cara estranha, fora de moda,
com a pele muito branca.
O que seguro nas mãos?
Para quem olho?
Como me chamo?
Ai, que vontade,
como eu gostava que tudo fosse diferente,
fosse eu a olhar para este retrato e,
sobre ele,
escrevesse a minha história de fantasmas.


POEMA DE MINHA AUTORIA
DIREITOS DE AUTOR RESERVADOS



 IMAGEM DA NET

terça-feira, fevereiro 28, 2012

POETAS DA IMAGINAÇÃO

Sou o poeta de imaginação.

Os meus poemas sucumbem ao charme do Vento

e em breve os esqueço.



Escrevo mais e vejo-os rodopiar no tempo.

O meu tempo de criança traquina.

Pois, hoje pensei em nós.



Nós, crianças.

Ladrões, piratas na descoberta desse EU..

Esse EU maravilhoso e mágico que é a VIDA.

 POEMA DE MINHA AUTORIA
DIREITOS DE AUTOR RESERVADOS
 IMAGEM DA NET

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

CRISTALINOS

Sei o que queria escrever...
Mas, de repente o dia tornou-se sombrio 
e eu parei no tempo.


Desejei que fosse já Verão....
Podia escrever sobre sereias e estrelas do mar.
Histórias infantis, com palavras de encantar.


Mas as horas pertencem ao Diabo...
E as histórias enchem-se de terror, 
sem risos cristalinos.



quinta-feira, fevereiro 16, 2012

MEDO

Esta noite,
procuro consolo na escuridão.
Como se aí encontrasse a resposta ao que só eu posso decidir.

Tenho a vida às avessas. Novamente.
Tenho vontade de amaldiçoar o Vento,
os Deuses no Olímpio, sei lá mais quem…

Mas é agora.
Neste momento, em que a noite se fecha em mim
e fico à mercê dos meus fantasmas.

Porque tenho fantasmas. Aprendi a viver com eles.
E aparecem sempre que perco uma batalha.
Como se eu fosse cobarde e não apenas humana…
Porque tenho medo…


quinta-feira, fevereiro 09, 2012

DOCES

Não quero palavras doces.

Nem promessas perfumadas.

Quero que me digam a verdade,

mas não com crueldade.

Há milhões de palavras.

Escolham uma que não me destrua.

Poderia agora ser banal.

Chorar e ter pena de mim.

Mas não o vou fazer.

Porque há milhões de palavras.

E uma falar-me-á de esperança.

Poema de minha autoria
Direitos de autor reservados

domingo, fevereiro 05, 2012

ROMANCE

Esta noite,
não vou escrever sobre a noite.
Não será uma heroína romântica,
uma amante sensual.
Estará desiludida,
desencantada com o rumo da vida.
Não procurará culpados,
nem se sentirá atraiçoada…
Sentir-se-á apenas só….
Desesperadamente só.




Poema de minha autoria,
Direitos de autor reservados
 

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

FINAS E FRÁGEIS

Por vezes,
há que pôr um ponto final
nas palavras...
Tão gastas,
tão finas e frágeis
como uma teia de aranhas.
Envelhecem como o corpo.
Quebram-se como o espelho.
Cansam-se como o olhar.
E, ficam tão vazias
como uma máscara de Carnaval,
depois de uma noite de folia.

Poema de minha autoria
Direitos de autor reservados
 

sábado, janeiro 28, 2012

ENSAIO

O que peço aos céus,
só os olhos sabem...
Na poesia das estrelas,
na prosa de desafio,
são lembranças felizes.
Delas, não troça o Vento,
não as destrói.
Porque, no seu sopro,
escrevo feliz....
 
II
 
O que peço aos céus,
só os olhos sabem...
Querem a verdade,
que disfarças
em palavras mentirosas.
Olha-me nos olhos e fala.
Sei que vou sofrer;
vou gritar quando a dor me rasgar.
Mas quero que seja agora,
agora que conheço
a verdade escondida.
Dói menos...
 
Dois poemas diferentes,
a partir da mesma frase
 
Poemas de minha autoria
Direitos de autor reservados
 



terça-feira, janeiro 17, 2012

DESGRAÇA

Este é um diário de desgraça.

Até as palavras estão trajadas de negro.

E, à minha passagem, encolhem-se.

Como se tivessem medo de mim.

Talvez porque hoje,

os meus lábios não se abrem num sorriso.

Não confio no meu sorriso.

Sinto-o trémulo, vazio…

Perde-se a lucidez da alma.

Vai-se o brilho do olhar.

O próprio corpo fica desastrado.

Porque hoje é um dia desgraçado,

e parece que não tem fim…

POEMA DE MINHA AUTORIA


Video do Youtube

NOTA: A partir desta data, O "Com Amor" terá poemas da minha autoria, subordinados a um tema.
Todos estão convidados a participar, seja com texto/poema de vossa autoria seja com um video como mote para o próximo tema.
O tema da próxima semana será "dor".

sexta-feira, janeiro 06, 2012

ÚNICO E CRUEL

O tempo é como o mar.
Único, e por vezes, cruel,
destruíndo memórias.
Essas memórias
da verdadeira razão de existir.
Sem passado, presente ou futuro.
Sem que haja paixão,
desejos ou mesmo amor.
Naquele momento,
em que o tempo desconhece a luz
ou finge que não a vê.
Mas o mar vê-a,
e talvez seja por isso,
que tão impiedoso como o tempo,
não seja.

Poema de minha autoria
Publicado no Facebook em Janeiro 2012


Video retirado do Youtube

quinta-feira, dezembro 29, 2011

O TEMPO

As pessoas não vêm para o abandono da rua
para serem felizes, só se for com um copo na mão
para festejarem uma passagem de ano. As pessoas
atravessam a ponte que separa duas vidas, ou dois modos
de vida, porque não têm alternativa, porque é este
o caminho que lhe resta.
E depois ninguém as vem procurar nem chamar à razão
para que reconsiderem e regressem.
Ninguém regressa, ao fim e ao cabo."

Extracto do livro de José Jorge Letria
"Coração sem abrigo" (recomendo a sua leitura)

O meu comentário???
É apenas mais um rosto...
Ninguém o trata mais pelo nome,
porque, e utilizando a expressão do autor,
ao fim e ao cabo,
temos medo de que
não haja mesmo alternativa.
E sejamos nós, um dia,
aquele rosto sujo
e com a dor espelhada nos olhos...
O que eu espero???
Que haja uma alternativa
 e que ninguém mais atravesse essa ponte...
Os melhores votos para 2012.....

sexta-feira, dezembro 23, 2011


Com os desejos de Boas Festas...
Com a voz de Marisa Monte....
Não foi um ano fácil para mim...
Mas vamos continuar a voar por aqui,
pelo meu outro blog...
Sempre....

sábado, dezembro 17, 2011

BRAMIDO DO MAR

Adoro seduzir-te,
e encantar a noite.
Esta noite,
confundo-te.
Deixo-te completamente só.
Apenas as velas estão acesas
e a lingerie espalhada pelo chão.
Num cenário,
em nada exagerado.
Muito banal, até.
Mas porque não estou aqui,
nua em frente à lareira,
com um copo de vinho na mão?
Onde estou?
A sentir a fúria do mar.
Não o vejo da janela do quarto.
Cheiro-o,
no entanto.
Um cheiro forte,
a algas e a espuma,
cinzenta e cerrada.
Hoje, quero que me ames,
ouvindo, ao longe,
o bramido do mar...

Poema de minha autoria,
publicado no meu blog principal em 2009
A razão porque o partilho hoje convosco
é porque foi escolhido e publicado num livro colectivo,
que se chama "Entre o Hoje e o Amanhã"
e cujo lançamento foi hoje, na Casa do Infante, no Porto.
Foi um presente de Natal inesperado,
foi a primeira vez que publiquei
e estou muito feliz....



quinta-feira, dezembro 01, 2011

SILÊNCIO

Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.

O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.


Jorge Luis Borges, in "A Cifra"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral


domingo, novembro 20, 2011

MOMENTO

Nostalgia do Presente



Naquele preciso momento o homem disse:
«O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.»
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.


Jorge Luis Borges, in "A Cifra"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral
 

domingo, novembro 13, 2011

E PORQUE NÃO???

Houve uma Ilha em Ti

Houve uma ilha em ti que eu conquistei.
Uma ilha num mar de solidão.
Tinha um nome a ilha onde morei.
Chamava-se essa ilha Coração.


Que saudades do tempo que passei.
Nenhum desses momentos foi em vão.
Do teu corpo, de ti, já nada sei.
Também não sei da ilha, não sei, não.


Só sei de mim, coberto de raízes.
Enterrei os momentos mais felizes.
Vivo agora na sombra a recordar.

A ilha que eu amei já não existe.
Agora amo o céu quando estou triste
por não saber do coração do mar.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'






segunda-feira, novembro 07, 2011

PROFERIDA

Sou a Tua Casa

Sou a tua casa, a tua rua, a tua segurança, o teu destino. Sou a maçã que comes e a roupa que vestes. Sou o degrau por onde sobes, o copo por onde bebes, o teu riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. O pedinte que ajudas, o asilo que te quer acolher. Sou o teu pensamento, a tua recordação, a tua vontade. E também o artesão que para ti trabalha, o medo que te perturba e o cão que te guia quando entras pela noite. Sou o sítio onde descansas, a árvore que te dá sombra, o vento que contigo se comove. Sou o teu corpo, o teu espírito, o teu brilho, a tua dúvida. Sou a tua mãe, o teu amante, o marfim dos teus dentes. E sou, na luz do outono, o teu olhar. Sou a tua parteira e a tua lápide. Os teus vinte anos. O coração sepultado em ti. Sou as tuas asas, a tua liberdade, e tudo o que se move no teu interior. Sou a tua ressaca, o teu transtorno, o relógio que mede o tempo que te resta. Sou a tua memória, a memória da tua memória, o teu orgulho, a fecundação das tuas entranhas, a absolvição dos teus pecados. O teu amuleto e a tua humildade. Sou a tua cobardia, a tua coragem, a força com que amas. Sou os teus óculos e a tua leitura. A tua música preferida, a tua cor preferida, o teu poema preferido. Sou o que significas para mim, a ternura que desagua nos teus dedos, o tamanho das tuas pupilas antes e depois de fazer amor. Sou o que sou em ti e o que não podes ser em mim. Sou uma só coisa. E duas coisas diferentes.


Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'









segunda-feira, outubro 17, 2011

SÁBIO AMOR

“...pois o Amor é mais sábio do que a Filosofia,

por mais sábia que esta seja: e é mais forte do que
o poder, por mais poderoso que este seja.Tem asas cor de fogo
e cor de fogo tem o seu corpo. Há uma doçura de mel nos
seus lábios e o seu hálito lembra o incenso”


Extracto do Conto de Oscar Wilde “O Rouxinol e a Rosa”



O Com Amor talvez volte nestes moldes...
Uma citação,
um poema que goste,
com um video.
Poderei escrever um comentário
ou só pedir o vosso...
O desafio de hoje é esse:
Comentem este excerto do conto de Oscar Wilde