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VELHO

Rendição Caem armaduras e espadas E rendo-me sem condições Quando imagino O teu regresso E o nosso velho abraço Daniel Medina (Livro "Pela Geografia do Prazer") O meu comentário??? Renova-se.. Tonifica-se... Não há condições ou promessas Há apenas um regresso.. O fim da espera... Que não fique pela imaginação... Seja palpável... Porque velho nunca é....

HISTÓRIAS SOBRE A VIDA

Meu Par O papel em branco que a tantos aterroiza q mim não dá medo; é meu companheiro nas andanças do dia-a-dia Carrego-o para todos os lugares e se alguma ideia me surge de surpresa ou me toma por inteiro recorro a ele - meu testemunho, calado de tudo o que penso desejo E não falo Maria do Carmo de Lima Bomfim (Carmo Bomfim) (II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário??? Também gosto de ter um bloco de notas, guardado na minha carteira Fica esquecido, por vezes e a folha em branco... Porque não tenho palavras.. Não me lembro nada para dizer - arrasto apenas os pés pelos dias.. Outras, a folha fica cheia de frases, palavras inacabadas... Atrapalhadas, atropeladas para que a ideia não escape.... Procuro um sítio calmo e reescrevo-as.... No meu desejo que não consigo calar.... Nessas muitas histórias sobre a vida...

SAUDADE

A Carta Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor Porque veio a saudade visitar meu coração Espero que desculpes os meus erros por favor Nas frases desta carta que é uma prova de afeição Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás Resposta imediata me chamando de meu bem Porém o que me importaé confessar-te uma vez mais Não sei amar na vida mais ninguém Tanto tempo faz, que li no teu olhar A vida cor-de-rosa que eu sonhava E guardo a impressão de que já vi passar Um ano sem te ver, um ano sem te amar Ao me apaixonar, por ti não reparei Que tu tivestes só entusiasmo E para terminar, amor assinarei Do sempre, sempre teu... Renato Russo O meu comentário??? Uma carta em suspenso... Nem a assino nem a envio... Vou deixar ficar assim... Dor ou esperança? Dois sentimentos contraditórios... Reais em mim e sobre os quais...tantas vezes escrevi.. Talvez seja por isso que não vou terminar a carta... Talvez o faça quando a ferida fechar... Seja uma forma de pôr um ponto final numa relação ...

NUNCA VAZIOS

POESIA Tecido de esparsas tramas vazias por que perpassam esguias agulhas sentidos bordando a multicor figura e compreensão, que paira plena mais que agulha que a linha que a própria figura..... Do tamanho da vida. Jorge Henrique Vieira Santos (Livro "II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário??? Na própria vida escreve-se um poema.. Pequeno ou longo... Sentimentos devem ter voz As cores, as sensações, o vento e o sol também... Eu??? Esta é a minha voz, o meu sorriso... As minhas palavras.... Quando falo dos poemas dos outros.. Ou quando sinto os meus próprios poemas... Para mim, eles nunca serão vazios....

AUTO-ESTIMA

As palavras As palavras são poderosas. Mas o silêncio vale ouro. Elas podem ser preciosas, Ele é o verdadeiro tesouro. Mal usadas causam dano, Como relâmpago ligeiro, Atingindo o alvo visado, Rápido, sem dó e certeiro. Mas elas não são culpadas, Do que lhe fazemos dizer Elas devolvem desajeitadas, O reflexo do nosso ser. Prefiro o som do silêncio E as palavras por escrever. Somos os guardiões do templo, Desta obra por fazer. de Edite Correia Puippe (Livro "II Antologia de Poetas Lusófonos") O meu comentário??? Ás vezes, penso que odeio o silêncio e procuro o barulho intenso.. Defendo-o, no entanto, não como uma guardiã Como uma princesa guerreira Quando me sinto desajeitada, fatigada.. Quando nada me obedece.... Nem mesmo o corpo.. A alma parece que desistiu de mim... E, para não magoar a alma, o corpo, ou mesmo as palavras, fico nesse silêncio... Uma tempestade de desespero, fúria e pouca auto-estima... Hoje, para mim, é um dia de Chuva Um dia assolado por essa tem...

SEM FORMA OU COR

Recordação E tu esperas, aguardas a única coisa  que aumentaria infinitamente a tua vida;  o poderoso, o extraordinário,  o despertar das pedras,  os abismos com que te deparas.  Nas estantes brilham  os volumes em castanho e ouro;  e tu pensas em países viajados,  em quadros, nas vestes  de mulheres encontradas e já perdidas.  E então de súbito sabes: era isso.  Ergues-te e diante de ti estão  angústia e forma e oração  de certo ano que passou.              Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"   O meu comentário??? E, não podemos voltar ao passado... Podemos voltar aos sítios onde fomos felizes... Nunca será igual... Haverá sempre diferenças, diferenças essas, que podem destruir essas recordações.... De um tempo diferente, em que tudo girava à volta de um ideal... Num mundo que não andava a correr... Porque agora andamos todos a correr.... Quase sempre sem destino.... em quadros sem formas ou cores...

O QUE PERDI

O Oculto do Aparente às vezes corremos tanto atrás de uma felicidade sem que percebamos onde ela está quem sabe, se nessa pressa, eu não a tenha deixado para trás inobservada em algum ponto distante do meu passado de Alceu Brito Corrêa (II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário??? O que perdi realmente? O que queria verdadeiramente? O que ficou? Lágrimas A noite O tempo sem nada Vasculhar agora o passado? Ou esquecer esse passado simplesmente?? Perdi as esperanças nas respostas... Não as encontro no passado... Por isso.....perdi o quê???