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NÃO QUERO FAZER VERSOS

Queria fazer-te um verso que rimasse com criança. Procurei pelo universo e, enchendo-me de desconfiança, resolvi, com raiva e frenesim, esconder-me dentro de mim Deserto de Ecos - António Marques Leal O meu comentário? Não te vou fazer um verso e não me vou esconder "dentro de mim", porque é cá fora que eu quero estar. Não temos que cruzar caminhos ou experiências! O que eu procuro no universo e pensei ter encontrado em ti, não está aí; está noutro lugar! Onde não sei! Só sei que não te quero fazer versos!

MEDO

Deserto de Ecos - António Marques Leal O escuro desta noite fez-me ter medo de olhar para ti, mas o dia que despontou, mesmo na altura em que o luar era apagado pela estrela da manhã, fez nascer em mim uma nova força O meu comentário? Tive muito medo; ainda tenho muito! Medo de atravessar o deserto e não encontrar água. Mas, nem tudo esteja perdido, se me guiar pela estrela da manhã, porque é a única coisa que me resta: A luz do sol para me fazer acreditar que há uma janela aberta algures !

OUTRAS PAISAGENS

OS NOMES INTERDITOS por Maria do Rosário Pedreira Agora há uma dor que pousa nas palavras. Não as digas - um nome basta para dividir o coração. Se me esqueceste entre um livro e outro, finge que não sei: despede-te de mim como uma lâmpada antiga, deixa que a tua sombra seja a minha única paisagem O meu comentário? Tenho o coração dividido . Fui "esquecida" entre um livro e outro; já o sei, mas não vou deixar que a sombra desse alguém seja a minha "única paisagem ". Estou conformada, mas não convencida e por isso, vou partir para outras paisagens.

GRATA PELAS MEMÓRIAS

Os Nomes Inúteis - Maria do Rosário Pedreira Dormem entre nós dores que não conheces. Adormeceste primeiro - e o meu passado é um relógio antigo que arrelia o silêncio. Se me tivesses dito o teu nome quando chegaste, podias fazer já parte destas memórias O meu comentário? Já sei os nomes que me atormentam e que fazem com que chore. Sei as dores que escondo - sei o que guarda o meu silêncio, mas sei também os nomes a quem estou muito grata. E esses nomes fazem, sim parte das minhas memórias !

SERÁ???

De Maria do Rosário Pedreira Onde queres que o encontres Onde queres que o encontres - escrito, rasgado ou desenhado na areia, no papel, na casca de uma árvore, na pele de um muro, no ar que atravessar de repente a tua voz, na terra apodrecida sobre o meu corpo - é teu para sempre o meu nome O meu comentário: Será?? Por vezes, fazem tudo para o esquecer. Só nós é que o lembramos !

SENHORA DA CASA

Nenhum nome depois de Maria do Rosário Pedreira Diz-me o teu nome - agora, que perdi quase tudo, um nome pode ser o princípio de qualquer coisa........... O meu comentário? O meu nome significa "SENHORA DA CASA" e como tal, as janelas e as portas estão sempre abertas, não só para os amigos, mas também para a lua e o sol brinquem e desenhem novos padrões de cor e de amor. É a única coisa que não se perde - o nome.............. Identifica-nos; molda-nos e enfeita-nos...........

SABER AMAR

Encontrei este poema da Florbela Espanca, num livro. Infelizmente, não sei o nome! ... Odeio o teu doce sorriso, odeio o teu lindo olhar E ainda mais a minh'alma Por tanto e tanto te amar O meu comentário? Não te vou odiar; apenas lamento não ter (talvez quem sabe, seja essa a razão) sabido te amar! Ou tu achado que o teu amor não era suficiente! Mas será que o amor se mede?