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TROCAR OLHAR

Não trocava o teu olhar e a tua simplicidade pelo sol, a lua ou as estrelas. Em ti, existe amor na ponta dos lábios. O dia e a noite em permutas constantes cansaram o calendário. E, em mim o sol não mais despertou Deserto de Eco - António Marques Leal O meu comentário? Também eu não queria trocar o teu olhar , mas o teu olhar não é verdadeiro e eu não quero ouvir mais mentiras . O amor que ofereces é mentira e a simplicidade da minha vida transformou-se num inferno, em que a lua, o sol e as estrelas desapareceram . Como eu sei que não posso viver sem a luz, sem o sol e sem as estrelas , é de ti e das tuas mentiras que prescindo.

COMBATER

Só morrem, desaparecem de vez as pessoas que não foram amadas Zélia Gattai, Città di Roma O meu comentário? É triste, mas é a verdade! Há pessoas que ficaram sempre na sombra; por medo ou por outras razões. E, contudo, nem sempre os que estiveram sempre sob o foco das luzes, merecem o nosso respeito e a nossa consideração. Ironias da vida, que devemos combater!!!

NÃO QUERO FAZER VERSOS

Queria fazer-te um verso que rimasse com criança. Procurei pelo universo e, enchendo-me de desconfiança, resolvi, com raiva e frenesim, esconder-me dentro de mim Deserto de Ecos - António Marques Leal O meu comentário? Não te vou fazer um verso e não me vou esconder "dentro de mim", porque é cá fora que eu quero estar. Não temos que cruzar caminhos ou experiências! O que eu procuro no universo e pensei ter encontrado em ti, não está aí; está noutro lugar! Onde não sei! Só sei que não te quero fazer versos!

MEDO

Deserto de Ecos - António Marques Leal O escuro desta noite fez-me ter medo de olhar para ti, mas o dia que despontou, mesmo na altura em que o luar era apagado pela estrela da manhã, fez nascer em mim uma nova força O meu comentário? Tive muito medo; ainda tenho muito! Medo de atravessar o deserto e não encontrar água. Mas, nem tudo esteja perdido, se me guiar pela estrela da manhã, porque é a única coisa que me resta: A luz do sol para me fazer acreditar que há uma janela aberta algures !

OUTRAS PAISAGENS

OS NOMES INTERDITOS por Maria do Rosário Pedreira Agora há uma dor que pousa nas palavras. Não as digas - um nome basta para dividir o coração. Se me esqueceste entre um livro e outro, finge que não sei: despede-te de mim como uma lâmpada antiga, deixa que a tua sombra seja a minha única paisagem O meu comentário? Tenho o coração dividido . Fui "esquecida" entre um livro e outro; já o sei, mas não vou deixar que a sombra desse alguém seja a minha "única paisagem ". Estou conformada, mas não convencida e por isso, vou partir para outras paisagens.

GRATA PELAS MEMÓRIAS

Os Nomes Inúteis - Maria do Rosário Pedreira Dormem entre nós dores que não conheces. Adormeceste primeiro - e o meu passado é um relógio antigo que arrelia o silêncio. Se me tivesses dito o teu nome quando chegaste, podias fazer já parte destas memórias O meu comentário? Já sei os nomes que me atormentam e que fazem com que chore. Sei as dores que escondo - sei o que guarda o meu silêncio, mas sei também os nomes a quem estou muito grata. E esses nomes fazem, sim parte das minhas memórias !

SERÁ???

De Maria do Rosário Pedreira Onde queres que o encontres Onde queres que o encontres - escrito, rasgado ou desenhado na areia, no papel, na casca de uma árvore, na pele de um muro, no ar que atravessar de repente a tua voz, na terra apodrecida sobre o meu corpo - é teu para sempre o meu nome O meu comentário: Será?? Por vezes, fazem tudo para o esquecer. Só nós é que o lembramos !