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CHAMA

E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure Vinícius de Morais – Soneto de Fidelidade (excerto) O meu comentário??? Enquanto se vive, tudo é imortal, infinito... o tempo não entra na equação... É viver intensamente....loucamente...levemente.... Escrever páginas e reavivar...quando acaba.... Transformar em preciosidades, raridades... Sentir sempre o calor, deixar que a chama sempre se acenda... Não é solidão...nem tristeza... Simplesmente viveu-se..........

VIDA

................................................................. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia. Verdade (excerto) de CARLOS DRUMMOND O meu comentário?? Na vida, temos que optar, decidir, resolver tudo... Muitas vezes, essa opção, decisão, resolução torna-se um fardo... Arrependimento...frustração...tristeza.... Sente-se que a vida ficou sem sentido................. A vida tem sempre sentido.... é como o ditado "separar o trigo do joio"... Aproveitar o positivo, aprender com o negativo e seguir em frente... Mesmo que às vezes nos chamem "egoístas"...mas quem o diz.... esquece-se que o que resulta para uns, pode não resultar para nós... Lá continuamos nós a optar, a decidir, a resolver.......... ....a vida é mesmo um quebra-cabeças...

PARTIDA

De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. Vinicius de Moraes – Soneto da Separação (excerto) O meu comentário?? Sem qualquer explicação... Acontece.... simplesmente mudar as prioridades, o estilo, a vida em si............. Porque nós próprios mudamos... Evoluímos.... estabelecemos um outro ritmo... acompanhamos novos amigos.... Às vezes, sentimo-nos tão sozinhos.... há lacunas....que nunca mais se preenchem... De repente, desejamos voltar ao ponto de partida.............................

REDE

Cecília Meireles – CANÇÃO MÍNIMA No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta. E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro; no canteiro uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro, entre o planeta e o sem-fim, a asa de uma borboleta. O meu comentário??? O ciclo da vida, será?? Estamos todos ligados - uma rede invisível... Um circulo.... Giramos à volta...de objectivos... Procuramos um sentido... Exploramos alternativas... Sempre...sem olharmos para a beleza da borboleta... Há qualquer coisa bela no planeta.... E cá dentro...todos o somos...............

BRINCADEIRAS

Havia um anel, lembro-me bem... E havia um amor, que fim levou? .................................................................. Na calçada a ciranda vai e vem... "...era pouco e se acabou." A CIRANDA (excerto) de Graciette Salmon O meu comentário?? Ilusões... Brincadeiras infantis....saudades.... Tempo que passa... Que se esconde... Tal como a ciranda..... continua a girar... levanta o vento, enfurece o mar... Apenas ficam as memórias do passado... Em que nada havia...... apenas brincadeiras e risos...........

VOZ

Há vozes nos corpos sem vida, Há vozes no meu caminhar, Há vozes no sono de meus filhos E meu pensamento como um relâmpago risca O limite da minha existência Na ânsia de saber quem grita. Mistério (excerto) de Adalgisa Nery O meu comentário??? A voz da consciência?? Aquela que nos sufoca o pensamento?? Aquela que nos maltrata e diz sem dó e piedade "Bem que te avisei!"? Ou a voz do coração? Que nos aponta o caminho, suavemente? Nos obriga carinhosamente a lutar? Perdemos quando não as sabemos distinguir... as ignoramos... entre elas não sabemos navegar.... Porque não deixamos que nos amem...........

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Repouso Dá-me tua mão E eu te levarei aos campos musicados pela canção das colheitas Cheguemos antes que os pássaros nos disputemos frutos, Antes que os insetos se alimentem das folhas entreabertas. Dá-me tua mão E eu te levarei a gozar a alegria do solo agradecido, Te darei por leito a terra amiga E repousarei tua cabeça envelhecida Na relva silenciosa dos campos. Nada te perguntarei, Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes E as palavras do meu olhar sobre tua face muito amada. De Adalgisa Nery O meu comentário?? Morte ou vida?? Silêncio....ou frenesim?? As duas coisas.... Poderá ser o repouso de uma vida gasta, partilhada... ou meramente a necessidade de se parar para depois continuar... Respira-no, entanto, uma ternura, uma serenidade que... na morte e na vida deve existir... mas muitas vezes não há.............