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BRAÇOS ABERTOS

Vimos chegar as andorinhas Rosa Lobato de Faria Vimos chegar as andorinhas conjugarem-se as estrelas impacientarem-se os ventos Agora esperemos o verão do teu nascimento tranqüilos, preguiçosos Tão inseparáveis as nossas fomes Tão emaranhadas as nossas veias Tão indestrutíveis os nossos sonhos Espera-te um nome breve como um beijo e o reino ilimitado dos meus braços Virás como a luz maior no solstício de junho. O meu comentário??? Um desejo... Orgulho espalhado em cada gesto.... Gigante como os dias de Verão.... Porque nascer num dia de Verão... ........ é nascer com a luz dourada.... Com a audácia do Sol... A loucura da Lua... A tranquilidade do mar... O amor ilimitado de quem tem sempre os braços abertos para ti... Nunca os recuses..............

NÃO É FÁCIL

Perguntei a um sábio, a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O Amor é mais sensível, a Amizade mais segura. O Amor nos dá asas, a Amizade o chão. No Amor há mais carinho, na Amizade compreensão. O Amor é plantado e com carinho cultivado, a Amizade vem faceira, e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o Amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração. William Shakespeare O meu comentário??? Por vezes, o Amor deixa-nos sós... A Amizade larga tudo.... abre-nos a porta... E, não se importa com mais nada.... Escuta-nos...Simplesmente.... Ao erguermos novamente a cabeça... Ao refazermos essa vida que julgávamos ter perdido... Mesmo que se volte a encontrar o Amor.... O Amor com que tanto se sonha.... tanto se fantasia... A Amizade fica.... nem sempre é fácil de...

HORAS E PENSAMENTOS

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor... Não precisamos da paixão desmedida... Não queremos beijo na boca... E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama... Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado... Sem nada dizer... Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir... Alguém que ria de nossas piadas sem graça... Que ache nossas tristezas as maiores do mundo... Que nos teça elogios sem fim... E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável... Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado... Alguém que nos possa dizer: Acho que você está errado, mas estou do seu lado... Ou alguém que apenas diga: Sou seu amor! E estou Aqui! William Shakespeare O meu comentário??? Sim, manda-me calar... E, sim, eu prometo que te escuto até ao fim.... Sem interromper...

TANTO PARA LEMBRAR

LEMBRANDO O GOSTO SOLITÁRIO DO ORVALHO sabe-me o orvalho às águas de outros invernos sempre devagar no rosto a chuva cresce na dimensão da palavra húmida aos poucos fomos mais e nos líquidos dos corpos encontrámo-nos ao fim da tarde apenas ficou em nós o amor pela noite José António Gonçalves O meu comentário???? Amar tranquilamente.... Com a cumplicidade da Lua... O desespero do Vento.... O fim da tarde pertence-nos enfim... Partilha-se um encontro.... A chuva....apenas um empecilho.... Logo esquecido.... E, a solidão??? Não o é.............. Pois não há tanto para lembrar....

VOZ DO AMOR

OUTRA VOZ É Inverno. E nem parece. Na alma branca há um fruto negro como as nuvens. Escutam-se tempestades debaixo da sua pele. Amadurece. Sereno, molhado pelas bátegas da chuva de Novembro, assalta o caminho em busca do Sol e avança, solene, no breu do lençol lívido, estendido sobre a cama. Até logo, meu amor. Outra voz me chama. José António Gonçalves O meu comentário??? Deus? Ou a voz da nossa consciência??? Algo que temos que fazer...e fazer sozinhos... Há coisas que não podemos partilhar.... No Inverno...há sempre uma melancolia... Palpável....exige muito de nós.... Uma luta para que se afaste... Ás vezes, nem a voz do amor a vence....

PROFUNDA

ECOS DE SOLIDÃO começaram a soprar os ecos da solidão no âmago da minha poesia cerrando algumas portas umas frestas todas as janelas e uns buracos no tecto onde ouço o cantar da aldeia distante do poema desfeito ao sol do meio-dia vejo-a chegar de mansinho com as flechas de sombreado abandono em riste e eu defendo-me esticando o arco a mente a luz que anda pelas galerias do chão que piso nos olhos dos animais da terra e do ar e penitencio-me por toda essa poeira inacamada na alma e ignoro-me retraio-me triste todos os jardins cheiram-me de súbito a folhas molhadas de inverno a copas de árvore alagadas de chuva esquecida a avencas tardias a caminhos perdidos nas charnecas e distraidamente prometo-me que irei voltar à liça do poema sempre em movimento ao sabor da uva ao amor pela tinta e pelo papel por um destes dias José António Gonçalves O meu comentário??? Tão só... Tão tristes as palavras.... Aguardam apenas.... Que, ao serem devolvidas pelo eco... haja nelas alegria.... Aos olhos ...

SERENO

Cavalos feridos de silêncio São de fogo os seus cabelos soltos suspirando ao longo das montanhas onde há cavalos cheirando a suor e a pássaros feridos de silêncio. Há maresia nos seus olhos serenos e brandos de lume perdidos em ondas de ternura e vento e há espelhos e pradarias imensas e quentes chispas de sol derretendo gestos e falas nos recantos das pálpebras de veludo. O seu corpo solta-se de repente em tempestades convulsas de erva molhada por sobre um lençol de terra com sabor a fruta fresca e a madeira antiga lembrando palavras que nunca foram ditas. José António Gonçalves O meu comentário??? Mas que se sentiram... Guardadas na memória... Para além do cheiro que ainda paira no ar.......... A tranquilidade com que se viveu o momento... Esse momento que continua presente... Escondido no olhar.... Talvez as palavras estejam gastas.... E o amor navege com o mar... Ao bater na areia....este conte tudo.............