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ATROZ

Coração! Esquecê-lo-emos! Tu e eu – esta noite! Tu poderás esquecer o calor que nos deu – Eu esquecerei a luz! Quando o tiveres feito, peço-te que me digas~ Para que eu possa recomeçar! Apressa-te! Senão, enquanto te demoras Lembrá-lo-ei! Emily Dickinson Poema enviado por Vasco (vbm) do blog Conversas de Xaxa O meu comentário??? Será tal possível??? Esquecer... .....ignorar.... .....passar por cima...... Expressões banais..... .....para definir..... Essa mágoa que insiste em se alojar aqui... .....no coração... Não, não é mágoa.... É uma dor mais profunda, mais enraizada.... Rasga-me..... Sufoca-me... Fecha-se em mim.... Numa escuridão atroz..... Por isso..... Esquecer-te.......... Nunca............

EM CASA

Senhora da Boa Viagem Na varanda marquei Peniche e Berlenga Posso parecer tolinho alucinado Explico, haverá quem entenda Se o vento sopra do Norte Olha-se a ilha levanta-se a tenda Não chove, vê-se longe a Berlenga No campo semeia-se o trigo A ausência de chuva não será lenda Do rural campo vem o pão Do mar da vila o peixe Depois vem o Verão Todos em festa agradecem a Deus Da Senhora da Boa Viagem a intercessão Junto ao mar, no Alto da Vela Ali à beira o gozo e a diversão Festa e folia, pois então No alto do mar passará a procissão Nos barcos, muitos vamos entrar Fazer a viagem de adoração Olham-nos todos engalanados!... Flâmuas e miríades de luzes Nas águas reflectem um vistão Seguem perfilados, passando o Carvoeiro A meio percurso da Berlenga Viram, como apontassem à Consolação Num segue o andor com a Senhora Ali vai Soberana, como protectora Num outro a banda, tocando Fazendo solene a ocasião Já nos cais a apoteose, com grande animação Fogo de vista aquático e a emoção Embevecida a ...

SIMPLES E TEIMOSA

A Lágrima é uma gotinha A lágrima é uma gotinha, Que mostra a tristeza E o belo da beleza. Que mostra o sofrimento, Da dor que doe, que tritura, De alguém que acabara de morrer Com um grande lamento. Que mostra a alegria, No seu sorriso bonito Ao ter amor para amar.... Numa linda amizade, Para toda a vida gostar, E a quem vem alegrar... A lágrima é uma gotinha, Que transforma o momento Num grande sentimento... De alguém que parte, Alguém que chega, Ou alguém que muito ama... De alguém que sofre por amor Num triste desamor! A lágrima é o sentimento, De um coração, Num grande momento.... Que mostra a toda a gente, A sua sensibilidade, Sem o querer, Na tristeza e na felicidade. Será sempre um presente, Poderá ser uma fronteira, Daquilo que o seu coração sente, Como uma bandeira. A lágrima é uma gotinha, Que junta a muitas outras... É como uma torrente, De sentimentos a cruzar, Na dor, na alegria, No pesar, na magia E no poder amar.. Abril 2007 - poema de ZezinhoMota do blog "A poesia...

RESPIRAR PROFUNDAMENTE

Meu País de Marinheiros de António Nobre Georges! anda ver meu país de Marinheiros, O meu país das naus, de esquadras e de frotas! Oh as lanchas dos poveiros A saírem a barra, entre ondas de gaivotas! Que estranho é! Fincam o remo na água, até que o remo torça, À espera de maré, Que não tarda aí, avista-se lá fora! E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca, Clamam todas à urra: «Agora! agora! agora!» E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo (Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...) Que vista admirável! Que lindo! Que lindo! Içam a vela, quando já têm mar: Dá-lhes o Vento e todas, à porfia, Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas, Rosário de velas, que o vento desfia, A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas: Senhora Nagonia! Olha acolá! Que linda vai com seu erro de ortografia... Quem me dera ir lá! Senhora Daguarda! (Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor) Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda O caçador! Senhora d'ajuda! Ora pro nobis! Caluda! Semos probes! Senhor dos...

INCONDICIONAL

Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras. Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo e ao mais alto que a minha alma pode alcançar buscando, para além do visível dos limites do Ser e da Graça ideal. Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos os dias à luz do sol e à luz das velas. Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam pela Justiça; Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja. Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância. Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida! E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte. de Elizabeth Barrett Browning Poema enviado por Álvaro Gonçalves do blog Perfil O meu comentário???? Porque me inspiras.... Chamas por mim com a força que pensava ser exclusiva do Sol... Nessas noites de chuva grossa... Com olhares sedutores... Com a lareira acesa... As chamas, cúmplices desse amor total... Que renasce.......

CONTINUAR A VOAR

A PRETO E BRANCO Eu gosto do preto e do branco. Por que essas cores me remetem ao meu passado. E volto a sentir-me como um pássaro calejado Que, de tanto voar. Na vertigem de um céu tão cinza Esqueci-me de sentir e amar O leve gosto da brisa. Mas lá ao longe... na linha do horizonte Respiro as cores do arco irís.. By Zita do blog "Momentos Dispersos" O meu comentário??? Abraço o meu corpo.... Sinto-me hesitante..... Surpreendo-me com o impacto da brisa no meu rosto... Quando os meus olhos se fixam no horizonte... Nas cores que o riscam.... Sorrio, encantada.... Estou cansada... Não tenho descanso....ando sempre a correr.... Atrás de quê??? ........... Já nem lembro..... Mas hoje parei..... Reparei..... O preto e o branco - a base de tudo..... Onde posso derramar todas as cores do arco-irís..... E continuar a voar................

O ECO

não sei se acordei o dia com a inquietação que me corre no sangue. sei que desassosseguei a noite. sei que a cama não me descansou o corpo que me pede o teu. na escuridão da noite revolvi os lençóis. chamei o teu nome! recebi-o de volta no eco de muitas vozes, iguais à minha e entrava outra vez na minha boca. o teu nome, apenas, foi o que esta noite me saciou de ti. Poema enviado pela Tufa Tau do blog com o mesmo nome O meu comentário???? Tudo o que resta..... No eco.... Um nome que não esquecemos.... Inscrito no fundo da alma... Essa alma que se defende durante o dia.... Tem medo da noite......... Adormece-se agarrada a memórias.... Que o tempo tenta gelar... Teima-se no reencontro com essas memórias....... Porque é realmente o que resta..........