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BEIJA-ME A ALMA

A Cor da Tua Alma Enquanto eu te beijo, o seu rumor nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro da árvore que é a árvore de meu amor. Não é fulgor, não é ardor, não é primor o que me dá de ti o que te adoro, com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro, é o ouro feito sombra: a tua cor. A cor de tua alma; pois teus olhos vão-se tornando nela, e à medida que o sol troca por seus rubros seus ouros, e tu te fazes pálida e fundida, sai o ouro feito tu de teus dois olhos que me são paz, fé, sol: a minha vida! Juan Ramón Jiménez, in "Ríos que se Van" O meu comentário??? A cor da minha alma? A cor da tua alma.... Essa cor que espalhas no meu corpo... Quando me amas... Quando me roubas o sorriso... Beijando-me tranquilamente..... A cor da minha alma.... É a cor da paixão.... A cor do fogo.... Aquela que sentes... Quando sou atrevida e sou eu quem te reclama..........

O REAL

Le marin Par cette nuit de tempête noire, Les sens apeurés jettent le doute. L’univers se venge de la conscience Et la contraint à l’obédience. La terre, la mer et le ciel, Complotent sur un autel infernal. Il ne reste de dimension pour le réel Qu’une unité infinitésimale. Posé là, à même la mer, un marin Conduit sa barque dérisoire de nain ; Forcenné qui s’acharne en vain A éviter le néant, fusse demain. Il porte en lui son bagage Empli avec patience au fil des âges. A lui cette énergie, cette vie d’humain Que rien ne peut soustraire au destin. Fuir serait lâchement se dérober Au souffle créateur qui lui est inné. Il sait pourtant que rien ne lui appartient Sinon la recherche de la beauté et du bien. Alors, à force d’efforts Et de batailles en guerres, L’humilité le conduit enfin A vivre pour aimer. Poema de J.L - enviado pela Je vois la vie en vert do blog com o mesmo blog O meu comentário??? O real?? Qual a dimensão desse real?? Desse momento? Da essência das coisas? Será soletrar ...

JÁ

Daqui, donde te chamo Daqui, donde te chamo, vejo a nau que parte do teu mar à procura do meu porto. No porão, transportas uvas… Do mosto fermentado gotejará vinho tinto de paixão, que em chamas espalharás na minha pele, em desalinho, à procura do teu norte. Espero-te na praia onde encalham marujos sem perícia, onde sucumbem cascos toscos de papel na demanda de paragens de utopia, mas onde aportarás com o penhor de um estandarte hasteado na abordagem ao teu sol que me enlouquece. Chamo-te… Espero-te… Quero despertar na espuma quente das ondas de vinho do teu ventre em madrugadas de pétalas marinhas. Poema enviado por Nilson Barcelli do blog Nimbypolis O meu comentário???? Eu encontro-te... Nessa praia de areia fina e branca... Que abafa os meus passos... ......Não quero que me vejas... ....já.... Quero... ..Apenas..... Que me sintas..... Deixes que a paixão se desenrole..... Como uma onda..... Se junte à minha...... Acorde, enfim, esse desejo e essa vontade.... E, sejamos os dois a na...

ATROZ

Coração! Esquecê-lo-emos! Tu e eu – esta noite! Tu poderás esquecer o calor que nos deu – Eu esquecerei a luz! Quando o tiveres feito, peço-te que me digas~ Para que eu possa recomeçar! Apressa-te! Senão, enquanto te demoras Lembrá-lo-ei! Emily Dickinson Poema enviado por Vasco (vbm) do blog Conversas de Xaxa O meu comentário??? Será tal possível??? Esquecer... .....ignorar.... .....passar por cima...... Expressões banais..... .....para definir..... Essa mágoa que insiste em se alojar aqui... .....no coração... Não, não é mágoa.... É uma dor mais profunda, mais enraizada.... Rasga-me..... Sufoca-me... Fecha-se em mim.... Numa escuridão atroz..... Por isso..... Esquecer-te.......... Nunca............

EM CASA

Senhora da Boa Viagem Na varanda marquei Peniche e Berlenga Posso parecer tolinho alucinado Explico, haverá quem entenda Se o vento sopra do Norte Olha-se a ilha levanta-se a tenda Não chove, vê-se longe a Berlenga No campo semeia-se o trigo A ausência de chuva não será lenda Do rural campo vem o pão Do mar da vila o peixe Depois vem o Verão Todos em festa agradecem a Deus Da Senhora da Boa Viagem a intercessão Junto ao mar, no Alto da Vela Ali à beira o gozo e a diversão Festa e folia, pois então No alto do mar passará a procissão Nos barcos, muitos vamos entrar Fazer a viagem de adoração Olham-nos todos engalanados!... Flâmuas e miríades de luzes Nas águas reflectem um vistão Seguem perfilados, passando o Carvoeiro A meio percurso da Berlenga Viram, como apontassem à Consolação Num segue o andor com a Senhora Ali vai Soberana, como protectora Num outro a banda, tocando Fazendo solene a ocasião Já nos cais a apoteose, com grande animação Fogo de vista aquático e a emoção Embevecida a ...

SIMPLES E TEIMOSA

A Lágrima é uma gotinha A lágrima é uma gotinha, Que mostra a tristeza E o belo da beleza. Que mostra o sofrimento, Da dor que doe, que tritura, De alguém que acabara de morrer Com um grande lamento. Que mostra a alegria, No seu sorriso bonito Ao ter amor para amar.... Numa linda amizade, Para toda a vida gostar, E a quem vem alegrar... A lágrima é uma gotinha, Que transforma o momento Num grande sentimento... De alguém que parte, Alguém que chega, Ou alguém que muito ama... De alguém que sofre por amor Num triste desamor! A lágrima é o sentimento, De um coração, Num grande momento.... Que mostra a toda a gente, A sua sensibilidade, Sem o querer, Na tristeza e na felicidade. Será sempre um presente, Poderá ser uma fronteira, Daquilo que o seu coração sente, Como uma bandeira. A lágrima é uma gotinha, Que junta a muitas outras... É como uma torrente, De sentimentos a cruzar, Na dor, na alegria, No pesar, na magia E no poder amar.. Abril 2007 - poema de ZezinhoMota do blog "A poesia...

RESPIRAR PROFUNDAMENTE

Meu País de Marinheiros de António Nobre Georges! anda ver meu país de Marinheiros, O meu país das naus, de esquadras e de frotas! Oh as lanchas dos poveiros A saírem a barra, entre ondas de gaivotas! Que estranho é! Fincam o remo na água, até que o remo torça, À espera de maré, Que não tarda aí, avista-se lá fora! E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca, Clamam todas à urra: «Agora! agora! agora!» E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo (Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...) Que vista admirável! Que lindo! Que lindo! Içam a vela, quando já têm mar: Dá-lhes o Vento e todas, à porfia, Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas, Rosário de velas, que o vento desfia, A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas: Senhora Nagonia! Olha acolá! Que linda vai com seu erro de ortografia... Quem me dera ir lá! Senhora Daguarda! (Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor) Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda O caçador! Senhora d'ajuda! Ora pro nobis! Caluda! Semos probes! Senhor dos...