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TERNURA PRESENTE

Ternura Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada, da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada... Olho a roupa no chão: que tempestade! Há restos de ternura pelo meio, como vultos perdidos na cidade onde uma tempestade sobreveio... Começas a vestir-te, lentamente, e é ternura também que vou vestindo, para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo... Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos assim que estamos sós! David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal" O meu comentário??? O que dizer? Quando se sorrie verdadeiramente... Não só com o amor que nos afaga o corpo... O amor enraizado na alma também... O aconchego dos braços com a ternura presente... Ocupando todo o espaço... Do sonho... Da paixão... Do Amor... Enfim...

A ONDA

Soneto do amor difícil A praia abandonada recomeça logo que o mar se vai, a desejá-lo: é como o nosso amor, somente embalo enquanto não é mais que uma promessa... Mas se na praia a onda se espedaça, há logo nostalgia duma flor que ali devia estar para compor a vaga em seu rumor de fim de raça. Bruscos e doloridos, refulgimos no silêncio de morte que nos tolhe, como entre o mar e a praia um longo molhe de súbito surgido à flor dos limos. E deste amor difícil só nasceu desencanto na curva do teu céu. David Mourão-Ferreira O meu comentário???? Porque, às vezes, o amor perde o encanto... Porque não era amor verdadeiro.... E nada escreveu na onda... Que regressa sempre à praia... Com outra força, com outra dimensão... Mesmo que se desfaça contra o penhasco...

TEMPORÁRIA

Gota de Água Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu. António Gedeão O meu comentário??? Angústia, revolta, tristeza... Tudo o que as lágrimas dizem... Numa história magoada... Uma história que não começa por "Era uma vez..." Porque fala em injustiça e em dor.... Nem sempre a injustiça e a dor terminam com "E viveram felizes para sempre"... Nunca há um fim escrito.... há apenas uma paragem temporária....

NO MEIO

A PONTE Atravessei uma ponte coberta de carinhos de amor fraterno enquanto eu sorria Ao atravessar senti a saudade que me deu os bons dias e ouvi o canto das sereias num mar tranquilo Senti a paz que me acompanhava com harmonia e dignididade sentia-me seguro era a ponte da amizade Pedro Valdoy (II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário?? Saudade.. A tristeza que fica no suspiro lançado para o ar... Afoga-se no carinho do abraço. Nas palavras vivas; na esperança do olhar... Por muito duro que seja a separação... Se houver uma palavra amiga no outro lado da ponte.. A ponte que é a nossa vida.. Mais fácil a descoberta da alegria. Mas quando se fica no meio da ponte? Com dúvidas?

SEM NINGUÉM

O Segredo é Amar O segredo é amar. Amar a Vida com tudo o que há de bom e mau em nós. Amar a hora breve e apetecida, ouvir os sons em cada voz e ver todos os céus em cada olhar. Amar por mil razões e sem razão. Amar, só por amar, com os nervos, o sangue, o coração. Viver em cada instante a eternidade e ver, na própria sombra, claridade. O segredo é amar, mas amar com prazer, sem limites, fronteiras, horizonte. Beber em cada fonte, florir em cada flor, nascer em cada ninho, sorver a terra inteira como o vinho. Amar o ramo em flor que há-de nascer, de cada obscura, tímida raiz. Amar em cada pedra, em cada ser, S. Francisco de Assis. Amar o tronco, a folha verde, amar cada alegria, cada mágoa, pois um beijo de amor jamais se perde e cedo refloresce em pão, em água! Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas" (enviado por Lumife - obrigada) O meu comentário???? As nossas mágoas.... As lágrimas.... enxutas com uma palavra carinhosa, um beijo tranquilo ou um silêncio amigo... Ama...

CONTRARIAR O TEMPO

Morre lentamente – Pablo Neruda Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má so...

NÃO TER LIMITES

Limites do Amor Condenado estou a te amar nos meus limites até que exausta e mais querendo um amor total, livre das cercas, te despeça de mim, sofrida, na direção de outro amor que pensas ser total e total será nos seus limites da vida. O amor não se mede pela liberdade de se expor nas praças e bares, em empecilho. É claro que isto é bom e, às vezes, sublime. Mas se ama também de outra forma, incerta, e este o mistério: Affonso Romano de Sant'Anna O meu comentário??? Limites??? Se nem a razão o explica.. É um mistério e é livre, sim.. O olhar pode atraiçoar... o sorriso também.... Mas senti-lo é como abrir as janelas.. A chave desse mistério que é amar... É exactamente não ter limites...