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O QUE SURPREENDE

Não amo melhor nem pior do que ninguém... Do meu jeito amo ora esquisito, ora fogoso às vezes, aflito ou ensandecido de gozo. Já amei até com nojo Coisas fabulosas acontecem-me no leito. Nem sempre de mim dependem, confesso. O corpo do outro é que é sempre surpreendente. "O amor e o outro" poema de Affonso Romano de Sant'Anna O meu comentário??? Não é só o corpo que surpreende.. Os gestos, os risos, os olhos também... A entrega, o desejo, a paixão que despertam os sentidos.. Amamos como sentimos... Como tocamos... Como a pele fala com a pele.... Simplesmente acontece... Amar...

DIA DE INVERNO

Ao frio suave, obscuro e sossegado, e com que a noite, agora, se anuncia depois de posto, ao longe, um sol dourado que a uma rosada fímbria arrasta e esfia.. Da solidão dos homens apartado, e entregue a tal silêncio, que devia mais entender as sombras a meu lado que a terra nua onde se atrasa o dia... Recordo o amor distante que em mim vive, sem tempo ou espaço, e apenas amarrado à liberdade imensa que não tive, E que não há, como o recordo agora que a luz do dia já se não demora, se apenas de si próprio é recordado? "Glosa à chegado do Inverno" de Jorge de Sena O meu comentário???? A solidão de um dia de Inverno.. O frio que se instala e que afasta a luz... Essa luz que a Terra, no seu próprio espaço e tempo, entrega... Ao silêncio de alguém... Fechado nas memórias, que também eu tenho e me marcam... Voltam agora à tona... Voltam a magoar..... E lamento que a luz do dia se afaste.... Fique apenas a chuva, o vento, o frio.... As longas e amargas horas de um Inverno, carr...

EM PLENO

Á Minha Mulher Eu estava morto e vivo agora. Tu pegaste-me na mão.. Eu morri cegamente Tu pegaste-me na mão. Tu viste-me morrer E encontraste-me a vida Tu foste a minha vida Quando eu morri Tu és a minha vida E assim eu vivo Harold Pinter in "Várias vozes" O meu comentário??? Vive-se em pleno... No amor... Na cumplicidade.... Sem escuridão...num óasis... Em que tudo volta a ser mágico quando se fala com a alma plena... E como se compreende o silêncio.... E nada se pede quando se aconchega ao desejo

DESAFIO

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O "Com Amor" aceitou participar neste "blogagem colectiva" e escrever uma história de amor. Será capaz??? Só no dia 24 de Novembro!!!! Obrigada a Rebeca e Jota Cê...

SEM CULPAS, COM VERDADE

Quando o amor acenar siga-o ainda que por caminhos ásperos e íngremes. Debulha-o até deixá-lo nu. Transforma-o, livrando-o da sua palha. Tritura-o até torná-lo branco. Amassa-o até deixá-lo macio., e então submete ao fogo para que se transforme em pão para alimentar o corpo e o coração! Khalil Gibran O meu comentário??? Raro, intenso, o amor provoca-nos... Para além dos limites do nosso próprio corpo... Conduz-nos a um labirinto de sensações, em que o mel escorre pela nudez.... E, nos faz sentir gigantes..... Numa entrega completa, num desejo vivido.... Numa noite quente e romântica... Numa noite fria de chuva e desespero... Sem culpas.... com verdades

NADA

FIM O fim. Tudo tem fim, nada é eterno. O início, tal como o fim. O nada. Onde tudo começa. Onde tudo acaba. No fim não se pensa. Fecha-se s olhos e acontece. Mesmo sem querermos. Ele vem, rápido e frio. Depois começa-se tudo de novo. Do nada, para acabar tudo onde se começou. Sem nada! João Costa Ferreira (Livro "II Antologia de Poetas Lusófonos") O meu comentário??? Simples de escrever... Nada é simples de escrever... Porque a palavra pinta-se, disfarça-se... Encanta-nos de maneiras diferentes.... Posso pensar que a estou a dominar... e no final, ter escrito o que ela quis que eu escrevesse.. Não estou a escrever sobre o nada, sobre o fim... Escrevo sempre sobre o começo, o recomeço... Nas diversas vertentes da palavra...

TEMER

A HORA MAIS EXACTA Imagens que voltavam devagar, se encostavam a ela sem pudor. E no silêncio, a esfinge impenetrável, sabendo-lhe de cor o coração: desistente dos barcos, depondo pelo chão de outros palácios as armas mais preciosas. “Não posso”, acrescentara sentindo aproximar-se a hora exacta. de Ana Luisa Amaral O meu comentário??? A hora exacta para quê??? Desistir da vida, por não se ter encontrado o tal palácio... Aquele sobre o qual se lê nas histórias de crianças... Os reinos de fantasias que ficam sempre escondidos no coração.. Talvez porque a realidade é exactamente o oposto... Não há horas exactas... Há apenas horas.... As felizes quando as conseguimos partilhar... As amargas quando desabamos e somos confrontadas com uma solidão que tememos...