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RIMAS VERDADEIRAS

Não me importo com as rimas. Raras vezes Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra. Penso e escrevo como as flores têm cor. Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me. Porque me falta a simplicidade divina De ser todo só o meu exterior. Olho e comovo-me. Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado. E a minha poesia é natural como levantar-se o vento. "Não me importo com as rimas" de Alberto Caeiro O meu comentário??? É simples e é divino.... Exactamente por isso... Por ser natural e falar com alma... Da cor das flores, das lágrimas que insistem em espreitar... Do vento que nos acaricia e nos enlouquece... Da fantasia que rompe a escuridão... Do simples acto de respirar e estar presente.... Em rimas verdadeiras....

TOLERANTES

Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela. Não sou a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra. Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor e sou mistério. A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco da minha vida; o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério. "Convite" de Lya Luft (Santa Cruz do Sul, RS, n.1938) O meu comentário??? O verdadeiro mistério... é saber como continuamos vivos... Se dominamos o mundo ou se ele nos domina. Se vamos encontrar resposta para todas as questões ou só para algumas. O que é o destino? Que papel desempenhamos nele? Talvez seja a loucura ou a tolerância. Ou a resposta esteja no respeito. Por aquilo que somos... Mesmo que sejamos a tal pedra, escondida na areia e que se atira novamente para o mar....

TÃO MAL

Il recuille toute la beauté Qui l'entoure aux creux de ses mains Il prend le chemin de la liberté Et il fait un voyage lá au loin. Partir en vérité ou en rêve? Il doit choisir une seule solution La vie est tellement brève Qu' il ne se fasse pas d'illusion! Qu'il soit prudent ou intrépide Il doit prendre cette décision, Qu'il danse ou vole comme une sylphide Il décide de sa propre évasion. Qu'il ne regarde pas en arriére Et emmène tous ses souveniers Ceux de sa vie toute entière S'il ne pouvait au départ revenir. Rencontrera-t-il l'amour? Sera-t-il sur son passage? Qui sait si un beau jour Il trouvera de lui un message. Comme un Songe dans une nuit d'Été, A force de chercher dans les contes, Il oublie que ce sentiment, l'amitié Est très souvent laissé pour compte. Reveille-toi, mon cher ami Ouvre tout grands les yeux. Car c'est moi qui te le dis Aveuglé jamais tu le perçois. Ton regard tourné vers les cieux Que le bonheur est devant toi ...

BAIXINHO

Eu não voltarei... E a noite morna, serena, calada, ...adormecerá tudo sob sua lua solitária. Meu corpo estará ausente, e pela janela alta entrará a brisa fresca a perguntar pela minha alma. Ignoro se alguém me aguarda de ausência tão prolongada, ou beija minha lembrança, entre carícias e lágrimas. Mas haverá estrelas, flores e suspiros e lembranças e amor nas alamedas. E tocará esse piano como nesta noite plácida não havendo quem o escute, a pensar, nesta varanda Poema de Juan Ramón Jimenez O meu comentário??? Alguém escuta... Poderá estar escondido na sombra da noite.. Deitado na relva, encostado a uma árvore, na soleira da porta... Poderá compreender a mensagem, identificar a dor... Saberá também quando  e se deve interferir... Ás vezes, temos que ficar calados... Sentir como a dor fluí, reconhecer no olhar que o momento de falar chegou.. E deixar que se fale... Percorrendo as alamedas, sentado na areia, ou com música clássica  baixinho na sala....

OUVE-O

Tenho ciúmes do Vento Porque acaricia o teu rosto.. E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele brinca com os teus cabelos... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele murmura ao teu ouvido... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele sopra nos teus lábios... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele beija as tuas mãos... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele abraça-te com força... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque ele sente o aroma Do teu perfume... E eu não! Tenho ciúmes do Vento Porque lhe contas os teus sonhos... E a mim não!.... Poema enviado pelo "O Sofá Amarelo" do blog com o mesmo nome O meu comentário??? Se falo com o Vento, é porque tu não me escutas. E só lhe falo de ti... De como me deixas sozinha e me contas tão pouco sobre ti... Como me olhas, como me desejas mas não partilhas nada comigo... Talvez não te ter conhecido... não me fizesse sofrer tanto.. Não tenhas ciúmes do Vento... Ouve-o apenas...

NA BELEZA DOS SONHOS

A beleza do fogo no teu peito Emite tanta luz!...Mas o ardor Não pode ser mais belo, meu amor Que o fogo deste amor puro, perfeito! Venham dos céus tormentas, venha dor, E o sorriso teu, esse teu jeito, Num átimo, terão tudo desfeito E brilharás, de novo, em teu fulgor! Nem mesmo a luz do Sol, vivo e ardente, Duvidará, jamais, de que és a rainha Deste sonho em que vivo dependente... Acordo com a dor, minha madrinha Nesta vida real e, lentamente Adormeço...e, no sonho, sim!...És minha!!! "Amor Utópico" de Carlos Fragata O meu comentário??? Há sonhos em que somos reis.... Outros, vagabundos.... Banquetes fartos nuns, fome e sede noutros.. O que significa um? O que diz o outro? Que tudo muda; ficamos à mercê da sorte. E, não será a sorte, essa utopia de que falas? Porque nos sonhos, em que descansamos, somos os reis e os vagabundos. Aqui, nem sempre sabemos o que somos...

CALAR

Céu azul Azul claro Azul quase branco E o contraste Das nuvens Cor-de-rosa E cinza... Ao longe o brilho E a sensação de fogo E as nuvens Correm e mudam Constantemente A sua forma... E eu ao olhar... Fico extasiada Com o que os meus olhos Vêem E olho vejo e calo... E continuo a imaginar!... "Fogo" poema enviado por Lili Laranjo (Blog "África em Poesia") O meu comentário??? E o que imagino eu?? Nesse labirinto de cores.... Onde se desenha a paixão dos meus dias... O fogo e o gelo.... Sei que é uma dança mortal... Mas o que não é mortal?  Se até as próprias nuvens têm um fim escrito.... Quando o fogo conquista o espaço, e o gelo se revolta...