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VOZ ALTA

O poema nasce dentro das tuas mãos sempre que repousa nelas o teu rosto. Não é uma canção: são os lábios apenas quando despertaram antes da palavra. Arquitectura última que depois se eleva, porque tu a criaste para sempre livre. Talvez uma ave seja a sua forma ao passar o voo que continua o poema. de Fernando Guimarães in "100 poemas portugueses para SMS" O meu comentário??? Num sorriso, num sussurro, amo-te... Escreve-se no poema, nas asas desse ave que voa connosco.... Porque ela é a essência do poema... Que desperta, rasga, conquista.... As emoções e os sentimentos.... Imperfeitos, imprecisos... Porque nunca tinham voado.... Nunca tinham sonhado... Nunca tinham sido escritos e ditos... Em voz alta....

SOFRO

Versos escrevem-se depois de ter sofrido. O coração dita-os apressadamente. E a mão tremente quer fixar no papel os sons dispersos... É só com sangue que se escrevem versos de Saúl Dias in "Sangue" - incluído no livro "A Alma não é pequena - 100 poemas portugueses para SMS" O meu comentário??? Sofro hoje. E não consigo escrever... Se cansaço, se tristeza.... Nem o coração responde.... Não há chuva, não há vento.... Nada que me faça sentir cinzenta.... Mas eu, hoje, não tenho nada a dizer... E esse "nada" talvez seja o "muito" a desabafar...

DESPOJADOS

Na ambígua intimidade que nos concedem podemos andar nus diante de seus retratos. Não reprovam nem sorriem como se neles a nudez fosse maior "Os Mortos" de Carlos Drummond de Andrade (escolhido por Vanuza Pantaleão) O meu comentário??? Porque estão verdadeiramente esquecidos... São apenas rostos. Sem nomes,  sem histórias.... Sem memórias escritas... Não podem sorrir, porque estão tristes... Estão vulneráveis..... Despojados de tudo o que é viver....

GOLPE PROFUNDO

a porta entreaberta a prolongar os teus passos  os castanheiros   a cidade em chamas a minha voz a prometer-te uma carta (prometo sempre cartas a quem se perde entre o meu corpo e os patamares das escadas de países desconhecidos) mas tu já não ouviste ou então tudo tinha deixado de fazer sentido e eu a pensar ainda uma palavra tua e eu serei salva De Alice Vieira, "Dois Corpos Tombando na Água" O meu comentário??? O que faz ou não sentido no adeus??? Nada.... É um golpe profundo no orgulho... É o silêncio que se instala... É a esperança que começa a ser pura ilusão.... A carta que se escreve e não se envia.... Os locais de que nos afastamos, porque se viveu aqui intensamente.... São os limites que o tempo impõe... Porque realmente deixa de fazer sentido esperar... Por quem não quer voltar.....

ETERNAMENTE

a língua sobre a pele   o arrepio os teus dedos na escada do meu corpo as lâminas do amor  o fogo  a espuma a transbordar de ti na tua fuga a palavra mordida entre os lençóis as cinzas de outro lume à cabeceira da mesma esquina sempre o mesmo olhar nada do que era teu vou devolver de Alice Vieira "Pelas Mãos e pelos Olhos eu juro" O meu comentário??? Não, nunca poderá ser devolvido... Podemos pintar a casa,  envernizar o chão... Escolher outro perfume, outro padrão para os lençóis.... Até mesmo mudar de casa, de bairro..... Mas será inútil.... Porque amar dessa maneira, marcou-nos o tempo, o corpo.... Falará connosco, mesmo que em segredo, eternamente  

NÃO SER

Lembrar os teus carinhos induz a ter existido um pomar intangíveis laranjas de luz laranjas que apetece roubar. Teu luar de ontem na cintura é ainda o vestido que trago seda imaterial seda pura de criança afogada no lago. Os motores que entre nós aceleram os vazios comboios do sonho das mulheres que estão à espera são o único luto que ponho. "Bilhete para um Amigo Ausente", de Natália Correia in "O Vinho e a Lira" O meu comentário??? Memórias.... Sempre as memórias que ficam... Dolorosas, sombrias... Porque é o fim? O fim de tudo ou só do sonho? Desse sonho onde se dançou com a luz... Rodeada dos cheiros da Primavera.... Ou o adeus ao amor... Aquele que se evadiu dos corações..... Por não ser o amor com que tanto sonhávamos......

PERDER A COR

Como dizer-te que povoas o meu sono ao cair da noite, quando o dia termina, despertando sensações há muito escondidas em mim. Como dizer-te que a tua voz me possui, entrando no meu ouvido, como seta directa ao coração. Como dizer-te das sensações primeiras coração aberto sorriso franco em sangue quente que me inunda e me dá alento. Como dizer-te que és maré alta em noite de lua cheia. Como dizer-te. Poema de Menina Marota (Otília Martel) em "Um desnudar de alma" O meu comentário???? Como dizer-te enfim... Amo-te, quero-te, desejo-te..... Como explicar-te o desnudar do meu corpo?? Como está tudo à flor da pele e que basta tocares-me.... Para que todo este sangue quente jorre... Pinte o desejo no meu corpo e te reencontre..... No cheiro, no suor, na saliva.... Na carne, enfim.... Como dizer-te tudo isso...... se as palavras perdem as cores.....