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SEM NINGUÉM

O Segredo é Amar O segredo é amar. Amar a Vida com tudo o que há de bom e mau em nós. Amar a hora breve e apetecida, ouvir os sons em cada voz e ver todos os céus em cada olhar. Amar por mil razões e sem razão. Amar, só por amar, com os nervos, o sangue, o coração. Viver em cada instante a eternidade e ver, na própria sombra, claridade. O segredo é amar, mas amar com prazer, sem limites, fronteiras, horizonte. Beber em cada fonte, florir em cada flor, nascer em cada ninho, sorver a terra inteira como o vinho. Amar o ramo em flor que há-de nascer, de cada obscura, tímida raiz. Amar em cada pedra, em cada ser, S. Francisco de Assis. Amar o tronco, a folha verde, amar cada alegria, cada mágoa, pois um beijo de amor jamais se perde e cedo refloresce em pão, em água! Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas" (enviado por Lumife - obrigada) O meu comentário???? As nossas mágoas.... As lágrimas.... enxutas com uma palavra carinhosa, um beijo tranquilo ou um silêncio amigo... Ama...

CONTRARIAR O TEMPO

Morre lentamente – Pablo Neruda Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má so...

NÃO TER LIMITES

Limites do Amor Condenado estou a te amar nos meus limites até que exausta e mais querendo um amor total, livre das cercas, te despeça de mim, sofrida, na direção de outro amor que pensas ser total e total será nos seus limites da vida. O amor não se mede pela liberdade de se expor nas praças e bares, em empecilho. É claro que isto é bom e, às vezes, sublime. Mas se ama também de outra forma, incerta, e este o mistério: Affonso Romano de Sant'Anna O meu comentário??? Limites??? Se nem a razão o explica.. É um mistério e é livre, sim.. O olhar pode atraiçoar... o sorriso também.... Mas senti-lo é como abrir as janelas.. A chave desse mistério que é amar... É exactamente não ter limites...

DANÇA INFINITA

A dança lê o espaço E só onde pousa o corpo Não é o vazio. Conhecereis o deslumbre. De um mundo que só existe A cada gesto Nuno Rocha Morais - Livro "Últimos poemas" O meu comentário??? Mas esse gesto pode falar sobre o mundo... Crueldade, traição, prazer, sedução.. Está lá escrito no passo de dança, na música onde que ela ganha forma. Na história que cada olhar interpreta... Diferente, mas real para todos... Nos choros ou nos risos... No que fica fechada, no que se pode abrir... Nesse espaço em que apenas o corpo fala... Numa dança infinita...........

APENAS CARINHO

Grato pela tua nudez que me revela Sempre outro o teu corpo, Que continua a caminhar para mim, Para me abrir a porta Algures numa miragem Como se fosse ainda possível Entrar para te abraçar. Algum dia a perda se aquietará E se deixará enfim afagar, Como um animal dócil E clara nos seus contornos Nuno Rocha Morais (Livro "Últimos Poemas") O meu comentário??? Uma miragem... Num abraço que se deseja e não se deu... Tudo é possível...mesmo esse abraço... Poderá já não haver paixão ou amor; apenas carinho.. O que resta após o perdão... Quando se sabe perdoar.... Porque, às vezes, nada fica....

HESITAR

Surdo, Subterrâneo Rio Surdo, subterrâneo rio de palavras me corre lento pelo corpo todo; amor sem margens onde a lua rompe e nimba de luar o próprio lodo. Correr do tempo ou só rumor do frio onde o amor se perde e a razão de amar --- surdo, subterrâneo, impiedoso rio, para onde vais, sem eu poder ficar? Eugénio de Andrade O meu comentário??? Talvez não seja o nosso tempo de amar... O rio sabe que margens deve desbravar para correr feliz.. Nós ainda hesitamos e o tempo passa, esquece-nos... Ficamos presos a tentar descobrir a razão de amar... Somos nós os surdos... Perdemos realmente o amor e o rio continua livre....

NOUTRO LOCAL

Contam que as sombras permanencem agora mais tempo sobre as dunas e que a flor de laranjeira rebentou pelos caminhos, encantando as viagens; que os morangos crescem, se os dedos se aproximam, e que já se ouve, ao longe um rumor de asas contrário a qualquer vento. Falam de um perfume estranho que paira pela cidade e pelas palavras soltas que os rapazes andaram a escrever pelos muros em segredo. E eu não sei nada disto que me contam, nem me aquece a luz quente que, como dizem, afaga de manhã os ombros de quem passa e vai a outro lugar sentir o mesmo lume. E eu também já não sinto a primavera: os dedos doem-me nos livros, sento-me de noite à janela. Olho a lua que já não posso ter. Escondo-me dos gatos. Dispo-me e vou dormir lá fora com as aves. De Maria do Rosário Pedreira (Livro "A Casa e o Cheiro dos Livros") O meu comentário??? O que dizer, enfim? Não sei se estou com pena de mim... Se estou a deixar que a dor me arraste... Me cegue e eu esteja inume ao que me rodeia... Se n...