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NA SOMBRA

De entre todos, apenas vós tendes o direito a ver-me fracassar. Onde caio entre a vossa doçura implacável, convosco partilho o pão e o espaço e a rapidez do olhar sobre o que fica (sempre) para dar ou dizer. E de vós me levanto e vos levo pesando e ardendo até onde me ajudais a ser melhor ou talvez menos só. "Para os amigos" de Vitor Matos e Sá, in "Companhia Violenta" O meu comentário??? Com forças para lutar, para encontrar a tal alternativa... Porque, às vezes, precisamos de ouvir palavras duras... A verdade tal como é, mas com aquele abraço no final, que nos diz que acreditam em nós... Ficamos, na verdade, menos sós.... E melhores do que há 5 minutos atrás.... Porque erguemos a cabeça e olhamos a vida de frente... O fracasso faz parte da vida  e só nós o podemos contrariar.... Com alguém que fica na sombra,  mas está lá sempre.....

NADA MAIS

As palavras mais simples foram as que te dei; o amor não sabe outras, só estas fazem lei. As palavras de uso mais comum e vulgar são as que o amor conhece. Com elas nos pensamos; é nelas que tememos desacertos, enganos; se nelas triunfamos, já delas nos perdemos. Com palavras vulgares se diz o mal do amor, seu riso, seu espelho, o que fica da dor. E todos os mistérios se fazem promessa e se perdem nos versos e dos corpos nasceram são aqui cerimónia evidente e secreta nas mais simples palavras que conhece o poeta " Das Palavras" de Luis Filipe Castro Mendes, in "Os Amantes Obscuros" O meu comentário??? Porque é simplesmente amar... Não há segredos, não há mistérios... É o desaguar das emoções em versos simples, em palavras diárias, nos olhares evidentes... Tudo se torna fácil de ler... Prometer, divagar... Não é preciso declarações violentas... Nem rimas carregadas.... Confessar apenas que se sentiu a falta... Desse gesto carinhoso, desse beijo leve, dessa palavra...

TROCADILHO

Poesia é a visita do tempo nos teus olhos, é o beijo do mundo nas palavras, por onde passa o rio do teu nome; é a secreta distância em que tocas, o príncipio leve dos meus versos; é o amor debruçado no silêncio que te cerca e te esconde: como num bosque, lento, ouvimos o coração de uma fonte não sei onde... de Vitor Matos e Sá, in "Esparsos" O meu comentário??? É a resposta do tempo... aos meus desejos, escondidos... É estar completamente enfeitiçada pelo silêncio... Reconhecer todos os ruídos, na memória todos os cheiros... Os da madrugada, quando o Sol se eleva e quando me abraço na noite... Claramente declarar-me no trocadilho do teu nome.. E saber que o sabes....

MÃOS

Dá-me as Tuas Mãos As mãos foram feitas para trazer o futuro, encurtar a tristeza, encher o que fica das mãos de ontem - intervalos (duros, fiéis) das palavras, vocação urgente da ternura, pensamento entreaberto até aos dedos longos pelas coisas fora pelos anos dentro. Vitor Matos e Sá, in "Companhia Violenta" O meu comentário??? Sempre tive vergonha das minhas mãos... Tão pequeninas... Mas agora que se enroscam nas tuas, resguardo-as.... Com a tua ternura.... Com a pele das tuas... Já não as escondo.... Escrevo-te poemas encantados... Só de paixão.... Encho a noite com murmúrios... Abro os dedos e apaixono-me novamente... Por ti...

SEDE

Cereja cálice vermelho de prazer sensualidade em veludo sede de tocar. Lábios de desejo que debatem provocações, causam sufoco de emoções e beijos de sedução. Vou trincar a haste tenra e fina que desprende a cereja para a vida, " Cereja" de Alexandre Reis (II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário??? Nem sei... O que os meus lábios provocam em ti... Posso falar do prazer em beijar-te, sentir o teu corpo a abraçar o meu,,,, Das vontades que despertam e que nem sempre confesso.... A ti, ao meu próprio corpo como se tivesse ainda dúvidas.... Não de que te amo... Mas que as sinto, que as entrego em ti, de como o meu corpo tem sede de ti.....

ESCASSO

Que ninguém hoje me diga nada. Que ninguém venha abrir a minha mágoa, esta dor sem nome que eu desconheço donde vem e o que me diz. É mágoa. Talvez seja um começo de amor. Talvez, de novo, a dor, a euforia de ter vindo ao [mundo. Pode ser tudo isso ou nada disso. Mas não o afirmo. As palavras viriam-me revelar tudo. E eu prefiro esta angústia de não saber de quê. "Intimidade" de Fernando Namora in "Mar de Sargaços" O meu comentário??? Talvez o começo de tudo ou o fim de tudo... É a solidão enraizada em nós e sobre a qual, pouco ou nada sabemos... Porque pensamos que a conquistamos com esses momentos de euforia, que se tornam cada vez mais escassos. A verdade regressa... invade-nos a certeza... Com essa angústia que quase nos sufoca... Que insistimos que não faz parte de nós....

ACREDITAR NO HOJE

Tudo na vida está em esquecer o dia que passa. Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, um cedro, areia, raízes, ou asa de anjo, caido num paul. O navio que passou além da barra já não lembra a barra. Tu o olhas nasa estranhas águas que ele há-de sulcar e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos [portos. Hoje corre-te um rio dos olhos e dos olhos arrancas limos e morcegos. Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje [o fim e que há certezas firmes e belas, que nem olhos vesgos podem negar. Hoje é o dia de amanhã. Fernando Namora in "Mar de Sargaços" O meu comentário??? O amanhã pode mudar tudo. A manhã pode abrir com um Sol brilhante que faz doer os olhos. A noite pode ser uma tempestade, um pesadelo que nada ou ninguém dissipará.. Nem vale a pena chorar... Porque está lá e lamentar o que poderia ter sido.... Oh, Deus, é agradecer que hoje não é o fim. É agarrar o que se tem neste momento, hoje e fazer com que o amanhã exista... Porque, se não se acred...