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ESPALHADO

Provo nos teus lábios um pólen de borboleta, húmido da noite com a cor do mel que vem do amor, e um veludo de asa, no centro de flor Excerto do poema "Musa" de Nuno Júdice (Livro "O Breve Sentimento do Eterno") O meu comentário???? Quem não prova e não aprova tal sabor a mel?? Não se veste de dourado e não tem um sorriso aveludado? Jogo com as palavras do poema... Pois sinto nos meus lábios esse doce.... Esse mel de amor correspondido.... Esse sabor.... Esse cheiro eterno.... Espalhado pelo aveludado da noite.................

DISCRETAS E DÓCEIS

Amar, sendo amado, não é lume passado no braseiro do presente, ainda quente: e ser amado, amando, inscreve-se no fado em que o passado queima a lenha do presente. Excerto do poema "Amor" de Nuno Júdice (Livro "O Breve Sentimento do Eterno") O meu comentário??? Fico sem palavras.... Invadida por um calor... Que não sei descrever... Em que a certeza de amar e ser amada... Ainda se escreve.... Nas linhas da lua.... No silêncio das estrelas.... Discretas, dóceis e cúmplices.................

LOUCA ENTÃO

Carpe diem Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável? Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos, os instantes; e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase, deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória, para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém, nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias; e abraças a própria figura do vazio. Então, por que esperas para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar que me oferece o leito profundo da sua imagem!" Louco, ignora que o destino, por vezes, se confunde com a brevidade do verso. Nuno Júdice O meu comentário??? Sou louca, então.... Acredito sempre que é possível.... Não me conformar com a certeza.... Desistir com pena de não o ter conseguido.... Ficar irri...

LIÇÃO

Princípios Podíamos saber um pouco mais da morte. Mas não seria isso que nos faria ter vontade de morrer mais depressa. Podíamos saber um pouco mais da vida. Talvez não precisássemos de viver tanto, quando só o que é preciso é saber que temos de viver. Podíamos saber um pouco mais do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada sabemos do amor. Nuno Júdice O meu comentário??? Não sabemos mesmo nada... Apenas o pouco que dura.... Ás vezes.... Com uma intensidade tal.... Ainda arde.... E a resposta ao "O que sabes tu disso, Marta"???? É.... Sei o que sinto.... Conheço os meus medos e os meus fantasmas... Sei o que é levantar-me de manhã com medo... Lidar com o meu pior pesadelo todos os dias.... Dura a lição que aprendi... Se amo mais e melhor quem amo hoje? Saberei algum dia???

NOSSO CORPO

XCVIII Deixar nas tuas mãos tudo o que eu amo nadar no lago verde dos teus olhos em teu corpo saber como eu me chamo queimar manhãs de incenso ou de petróleos chamar por ti, uivar como se um lobo devorasse corças brancas no meu peito e o coração inteiro fosse pouco para amar ou morrer de qualquer jeito saber que esse punhal que o vento ergue acima do esplendor da amendoeira é apenas o tempo que se perde ao acender de dia uma fogueira e naufragar em ti como se eu fosse um mastro habituado a correr mundo e no mar do teu ventre inquieto e doce mergulhar nesta noite até ao fundo. Joaquim Pessoa O meu comentário??? Mergulha em mim... Não nas trevas da noite... No prateado da lua... Chama por mim....... Escuta o meu cheiro..... Não fales do tempo... Nunca perderemos o tempo ao falarmos de amor... Ao despirmo-nos e nadar nesse lago... Que é o nosso corpo... O nosso amor... A nossa paixão.....

UMA VEZ QUE FOSSE

XLX Se bem que sim, se bem que tu soubesses atravessar o ar que eu atravesso e que ao que dizer que sim, também dissesses as coisas que em ti eu amo e não mereço e virando essas coisas do avesso com os bofes para fora enlouquecesses de tanto me oferecer o que te peço e de tanto lembrar não te esquecesses de me recomendar nas tuas preces no coração partido pondo gesso mas com fúria e com raiva me batesses eu mediria o tempo que não meço para que nunca mais te arrependesses de acordar nesta cama onde adormeço. Joaquim Pessoa (Livro "O Pouco é para ontem") O meu comentário??? Essa cama onde continuo a adormeçar sozinha... Porque tu esqueces.... Do coração dos outros... Pensas apenas no teu... Só que...... Não vale, às vezes a pena gritar.... Continuas a não ouvir.... Continuas a não sentir.... Respondo às minhas próprias perguntas.... Gostaria tanto que fosses tu a responder.... Uma vez que fosse.....

O MOMENTO E A PAIXÃO

V II Cometes o erro de não querer cometer erros. Se tu pensas a dúvida, o erro pensa-te. A alegria do erro está na tua perfeição, uma ironia que é também o contrário. Vive nos teus gestos, nos teus olhos, no olhar, por detrás dos teus olhos, no que dizes, para não errar. Que sabes tu de ti, que sabes tu dos outros que não seja que em todos aconteces, que estás em tudo e tudo está em ti ainda antes de em ti permanecer. A tua força está no que acontece, no que há-de acontecer, mesmo que não saibas o que não aconteceu, aconteceu sem que o soubesses. E que sei eu, mais do que tu? Joaquim Pessoa (Livro "O Pouco é para ontem") O meu comentário??? E o que sabemos realmente??? Nada mesmo... Porque alguém tornou-se importante... Para nós e tudo acontece porque se está feliz... Até mesmo egoísta... Ou não.... O mundo é que é egoísta e invejoso... Em nós, há apenas a esperança... O momento e a paixão....