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CARTAS

Porque me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando Em qualquer língua se entende essa palavra Sem qualquer língua. O sangue sabe-o. Uma inteligência esparsa aprende esse convite inadiável. Búzios somos, moendo a vida inteira essa música incessante. Morte, morte Levamos toda a vida morrendo em surdina. No trabalho, no amor, acordados, em sonhos. A vida é a vigilância da morte, até que o seu fogo nos consuma sem a consumir de Cecília Meireles O meu comentário??? A morte, a vida Os sonhos, as ilusões... Os medos, as verdades. Retalhos, momentos.... Partituras de músicas de encantar... Porque a vida é a carta que o destino escreve... Nem sempre com as nossas palavras... Mas no qual crescemos e nos reconciliamos... Com quê???? O nosso tempo, os nossos segredos...

NAS MINHAS MÃOS

As minhas mãos afagam a doçura e estendem-se gentis e tranquilas pelas horas infindáveis de muitas coisas passados em anos vividos abraçados num destino que transporta consigo pedaços de uma vida As minhas mãos afagam a doçura e trazem novos afagos de lua cheia buscando ansiosas e aflitas o consolo de uma pele macia de tanto prazer abraçado e de tanta delícia sentida As Minhas Mãos, poema de António Sem O meu comentário??? Olho para as minhas mãos... E não sei o que têm para contar... Estiveram tanto tempo sozinhas que têm medo de falar... Do prazer que é tocar noutras mãos.. Do calor que se espalha pelo corpo... Do toque nos lábios de alguém e sentir um beijo na palma... Talvez estejam a sonhar... Talvez seja uma fantasia... Mas eu senti o beijo suave, macio, quente na palma das minhas mãos... Que se fecham para o guardar.....

SEM RESPOSTA

Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tão perto tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é o seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura Em todas as ruas te encontro em todas as ruaa te perco Poema de Mário Cesariny O meu comentário??? Fala-se novamente de amor... Esse amor que parte à tua procura.. Não sei se te vai encontrar... Nem tudo é real.... nem tudo o que sonhamos nos fala... Fica guardado na linguagem dos sonhos.. Perdidos nessas ruas infinitas, indecifráveis.. Posso já te ter encontrado.... Mas não ser quem tu queres.... E ficarmos sem respostas...

MINHA

Fragmento 3 É tão natural que eu te possua é tão natural que tu me tenhas, que eu não me compreendo um tempo houvesse em que eu não te possuísse ou possa haver outro em que eu não te tomaria.... Venhas como venhas é tão natural que a vida em nossos corpos se conflua, que eu já não me consinto que de mim tu te abstenhas ou que o meu corpo te recuse venhas como venhas... E de ser tão natural que eu me extasie ao contemplar-te, e de ser tão natural que eu te possua, em mim já não há como extasiar-me tanto a minha forma se integrou na forma tua.... Affonso Romano S'Antanna O meu comentário??? Natural amar-te assim... Sentir-te parte da minha pele e adivinhar-te os segredos... Natural sentir o desejo a desafiar-te... Para que o sintas na sua forma mais pura.... Natural concluir que a tua vida é minha.. Sem palavras, apenas deixar que o olhar fale...

LACRADA - BLOGAGEM COLECTIVA

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Pensei que seria fácil. Fácil escrever uma história de amor. Mas assustei-me com o silêncio repentino da noite. Nem Vento, nem Chuva. Nem os teus passos. Não vou fazer a eterna pergunta. "Onde estás?" Já sei a resposta, mas dizer alto que estou novamente sozinha, não consigo. Não agora. Quando o silêncio ainda me pesa. Um dia revelarei o que esta noite me devolveu. Peço apenas que chova. E que a noite me perdoe se insisto em falar. Um monólogo longo sobre o amor que ainda reside no coração. Talvez daqui nunca saia. Nunca seja esquecido. Eu nunca o queira esquecer. Porque, mesmo que volte a amar, sei que tudo será diferente. Serei mais racional, não me entregarei tão completa. Não sei. Sinto-me cansada. De ouvir as queixas do mundo, que são também as minhas queixas. E, a janela, essa janela que se abria para um outro mundo, esse mundo de doce ilusão, está lacrada no silêncio desta noite. Poema de minha autoria, protegido pelo IGAC - Cópias proibidas A resposta do "Com A...

O QUE SURPREENDE

Não amo melhor nem pior do que ninguém... Do meu jeito amo ora esquisito, ora fogoso às vezes, aflito ou ensandecido de gozo. Já amei até com nojo Coisas fabulosas acontecem-me no leito. Nem sempre de mim dependem, confesso. O corpo do outro é que é sempre surpreendente. "O amor e o outro" poema de Affonso Romano de Sant'Anna O meu comentário??? Não é só o corpo que surpreende.. Os gestos, os risos, os olhos também... A entrega, o desejo, a paixão que despertam os sentidos.. Amamos como sentimos... Como tocamos... Como a pele fala com a pele.... Simplesmente acontece... Amar...

DIA DE INVERNO

Ao frio suave, obscuro e sossegado, e com que a noite, agora, se anuncia depois de posto, ao longe, um sol dourado que a uma rosada fímbria arrasta e esfia.. Da solidão dos homens apartado, e entregue a tal silêncio, que devia mais entender as sombras a meu lado que a terra nua onde se atrasa o dia... Recordo o amor distante que em mim vive, sem tempo ou espaço, e apenas amarrado à liberdade imensa que não tive, E que não há, como o recordo agora que a luz do dia já se não demora, se apenas de si próprio é recordado? "Glosa à chegado do Inverno" de Jorge de Sena O meu comentário???? A solidão de um dia de Inverno.. O frio que se instala e que afasta a luz... Essa luz que a Terra, no seu próprio espaço e tempo, entrega... Ao silêncio de alguém... Fechado nas memórias, que também eu tenho e me marcam... Voltam agora à tona... Voltam a magoar..... E lamento que a luz do dia se afaste.... Fique apenas a chuva, o vento, o frio.... As longas e amargas horas de um Inverno, carr...