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DESGRAÇA

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Este é um diário de desgraça. Até as palavras estão trajadas de negro. E, à minha passagem, encolhem-se. Como se tivessem medo de mim. Talvez porque hoje, os meus lábios não se abrem num sorriso. Não confio no meu sorriso. Sinto-o trémulo, vazio… Perde-se a lucidez da alma. Vai-se o brilho do olhar. O próprio corpo fica desastrado. Porque hoje é um dia desgraçado, e parece que não tem fim… POEMA DE MINHA AUTORIA Video do Youtube NOTA : A partir desta data, O "Com Amor" terá poemas da minha autoria, subordinados a um tema. Todos estão convidados a participar, seja com texto/poema de vossa autoria seja com um video como mote para o próximo tema. O tema da próxima semana será " dor".

ÚNICO E CRUEL

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O tempo é como o mar. Único, e por vezes, cruel, destruíndo memórias. Essas memórias da verdadeira razão de existir. Sem passado, presente ou futuro. Sem que haja paixão, desejos ou mesmo amor. Naquele momento, em que o tempo desconhece a luz ou finge que não a vê. Mas o mar vê-a, e talvez seja por isso, que tão impiedoso como o tempo, não seja. Poema de minha autoria Publicado no Facebook em Janeiro 2012 Video retirado do Youtube

O TEMPO

As pessoas não vêm para o abandono da rua para serem felizes, só se for com um copo na mão para festejarem uma passagem de ano. As pessoas atravessam a ponte que separa duas vidas, ou dois modos de vida, porque não têm alternativa, porque é este o caminho que lhe resta. E depois ninguém as vem procurar nem chamar à razão para que reconsiderem e regressem. Ninguém regressa, ao fim e ao cabo." Extracto do livro de José Jorge Letria "Coração sem abrigo" (recomendo a sua leitura ) O meu comentário??? É apenas mais um rosto... Ninguém o trata mais pelo nome, porque, e utilizando a expressão do autor, ao fim e ao cabo, temos medo de que não haja mesmo alternativa. E sejamos nós, um dia, aquele rosto sujo e com a dor espelhada nos olhos... O que eu espero??? Que haja uma alternativa  e que ninguém mais atravesse essa ponte... Os melhores votos para 2012.....
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Com os desejos de Boas Festas... Com a voz de Marisa Monte.... Não foi um ano fácil para mim... Mas vamos continuar a voar por aqui, pelo meu outro blog... Sempre....

BRAMIDO DO MAR

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Adoro seduzir-te, e encantar a noite. Esta noite, confundo-te. Deixo-te completamente só. Apenas as velas estão acesas e a lingerie espalhada pelo chão. Num cenário, em nada exagerado. Muito banal, até. Mas porque não estou aqui, nua em frente à lareira, com um copo de vinho na mão? Onde estou? A sentir a fúria do mar. Não o vejo da janela do quarto. Cheiro-o, no entanto. Um cheiro forte, a algas e a espuma, cinzenta e cerrada. Hoje, quero que me ames, ouvindo, ao longe, o bramido do mar... Poema de minha autoria, publicado no meu blog principal em 2009 A razão porque o partilho hoje convosco é porque foi escolhido e publicado num livro colectivo, que se chama "Entre o Hoje e o Amanhã" e cujo lançamento foi hoje, na Casa do Infante, no Porto. Foi um presente de Natal inesperado, foi a primeira vez que publiquei e estou muito feliz.... 

SILÊNCIO

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Os Justos Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire. O que agradece que na terra haja música. O que descobre com prazer uma etimologia. Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez. O ceramista que premedita uma cor e uma forma. O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade. Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto. O que acarinha um animal adormecido. O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram. O que agradece que na terra haja Stevenson. O que prefere que os outros tenham razão. Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo. Jorge Luis Borges, in "A Cifra" Tradução de Fernando Pinto do Amaral

MOMENTO

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Nostalgia do Presente Naquele preciso momento o homem disse: «O que eu daria pela felicidade de estar ao teu lado na Islândia sob o grande dia imóvel e de repartir o agora como se reparte a música ou o sabor de um fruto.» Naquele preciso momento o homem estava junto dela na Islândia. Jorge Luis Borges, in "A Cifra" Tradução de Fernando Pinto do Amaral