sexta-feira, janeiro 02, 2015

CONFISSÕES


Confesso que não sei o que confessar...

Talvez a culpa seja um pecado, mas não tenho coragem de perguntar.
Porque estou cansada, triste demais para falar da minha alma doente.
Talvez isto seja desistir; talvez seja esse o meu pecado, mas eu tentei...
Tropecei na desilusão, magoei-me com as mentiras, desiludi-me com o tempo e quando gritei porquê, encontrei o vazio.

Confesso que nem sempre perdoo.
Não gosto de olhares falsos ou sorrisos bajuladores.
Ou palavras traiçoeiras...
E, às vezes, peço apenas silêncio para me sentir. Para fechar os olhos e divagar algures, longe daqui, destas confissões que só eu escuto.

Não falo de pecados mortais.
Confesso erros que me humilharam, mas que se tornaram numa lição valiosa.
E se fui vaidosa, se voei até ao topo do Mundo por um minuto... para quê negar de que gostei?

Gosto da noite, dos sons e dos cheiros. De música suave e de pés descalços.
Da brisa no Verão, de nuvens e de cor-de-rosa.
Não gosto do som da minha voz e de ter as mãos pequenas. De nem sempre sorrir...
Mas esqueço tudo quando fecho os olhos e amo as palavras com que agora me confesso.
Numa confissão que não é uma confissão, se o meu único pecado é gostar de estar viva
nestas palavras...

TELA DE ENNIO MONTARIELLO



Uma das respostas ao desafio/tema proposto 
pela Editora “Lua de Marfim” - “Confissões”

domingo, dezembro 28, 2014

SIMPLESMENTE




TELA DE GREG OLSEN



Quem diz?
Que a noite não é uma sedutora...
Quem diz?
Que o tempo não tem memórias...
Quem diz?
Quem diz... não sabe o que diz
Ou não vive simplesmente...