sexta-feira, março 26, 2010

NUDEZ

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer..
Porque
quando nua
sou unica
e exclusivamente
tua.
Poema de Isabel Machado
O meu comentário???
Ao teu encontro é que eu me encontro....
Encontro-te no prazer
com que o meu corpo sonha,
com que se sente e te sente,
em que navega...
Nem o meu nome é importante....
Estou feliz....
Está tudo a mais -
sapatos, roupas, bugigangas...
Tudo o que o meu corpo quer...
Tudo o que o meu corpo te oferece....
Tudo o que o meu corpo te diz....
Escreve-se na tua nudez
entrelaçada na minha..........

segunda-feira, março 22, 2010

AMARGURA

Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôes pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras,
que saem dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que,
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem os gomos que tirei de dentro
da laranja deixando-a pronta para o poema,
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.
"O som do silêncio" de Nuno Júdice (Livro "Guia de Conceitos Básicos")
O meu comentário???
Sim, reconheço o silêncio...
Nem sempre escrevo nele poemas.
As palavras ficam absurdas
e o poema oco...
Deixo frases soltas na brisa
que o silêncio devolve...
Somos velhos companheiros
e conhece-me tão bem...
Se não escrever hoje,
se nada me soar coerente...
Ele perdoa-me....
Se o encher de cores e de cheiros,
ele sabe que estou feliz....
A única coisa que odeia, esse silêncio,
é ser interrompido
pelo som da amargura...
Essa que lhe corta o coração,
porque as minhas lágrimas
ficam sempre inscritas
num poema solitário...