sexta-feira, junho 20, 2008

LABIRINTO

O amor que sinto


O amor que sinto

é um labirinto.


Nele me perdi

com o coração

cheio de ter fome

do mundo e de ti

(sabes o teu nome),

sombra necessária

de um Sol que não vejo,

onde cabe o pária,

a Revolução

e a Reforma Agrária

sonho do Alentejo.

Só assim me pinto

neste Amor que sinto.


Amor que me fere,

chame-se mulher,

onda de veludo,

pátria mal-amada,

chame-se "amar nada"

chame-se "amar tudo".


E porque não minto

sou um labirinto.


José Gomes Ferreira



O meu comentário???



Declaração de amor....



Entrega total ao que é amor...



Sem mentiras...



Cristalino.....



Não me parece indeciso...o poeta....



Admite ter chegado ao limite....



Em que o amor enche a alma e a vida...



Torna-se, realmente num labirinto....



Uma teia de sentimentos e de emoções.....

quinta-feira, junho 19, 2008

OBEDECER

Porque é que este sonho absurdo

a que chamam realidade

não me obedece como os outros

que trago na cabeça?


Eis a grande raiva!

Misturem-na com rosas

e chamem-lhe vida.


José Gomes Ferreira



O meu comentário???



A realidade parece, às vezes, um sonho absurdo....



Custa a acreditar que estamos perante a verdade...



A verdade é cruel...já Eça o dizia....



A fantasia não a apaga totalmente....só por momentos....



Tal como estas rosas...



Puro o cheiro quando desabrocham...



Podre quando murcham....



Como elas....também os nossos sonhos ficam sem cor, sem cheiro...



Fica apenas aquele sonho absurdo...e a esperança....



De sonhos que nos obedeçam..........



terça-feira, junho 17, 2008

O DESEJO

CHOVE!


Chove...


Mas isso que importa!,~

se estou aqui abrigado nesta porta

a ouvir a chuva que cai do céu

uma melodia de silêncio

que ninguém mais ouve

senão eu?


Chove...

Mas é do destino

de quem ama

ouvir um violino

até na lama.


de José Gomes Ferreira



O meu comentário???



Aos olhos de quem ama…


O Mundo deixa de ser absurdo e corrupto…


O olhar aprofunda-se…



Usufrui-se...do tempo....



O tempo que não conta...



Porque só se fala de desejo....



Só se sente o desejo......



Vive-se o desejo....



Dança-se com o desejo...



Mesmo que chova.....

segunda-feira, junho 16, 2008

CHAMA

Ao longe os montes têm neve ao sol,

Mas é suave já o frio calmo

Que alisa e agudece

Os dardos do sol alto.



Hoje, Neera, não nos escondamos,

Nada nos falta, porque nada somos.

Não esperamos nada

E ternos frio ao sol.



Mas tal como é, gozemos o momento,

Solenes na alegria levemente,

E aguardando a morte

Como quem a conhece.


Ao Longe de Ricardo Reis
O meu comentário???

Ao longo.....um objectivo....um sonho...uma esperança....

Uma chama.....um desejo...

Nada mude....na hora em que se toma uma decisão...

Tudo ficará diferente.....

Para que se saiba o que fazer.....

Nada nos falta realmente quando deixamos que o mundo gire sem nós....

Porque ele gira....avança...impõe....tira...guarda.....

Somos pisados.....ou seguimos com ele.............

NA REALIDADE

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,

E deseja o destino que deseja;

Nem cumpre o que deseja,

Nem deseja o que cumpre.





Como as pedras na orla dos canteiros

O Fado nos dispõe, e ali ficamos;

Que a Sorte nos fez postos

Onde houvemos de sê-lo.





Não tenhamos melhor conhecimento

Do que nos coube que de que nos coube.

Cumpramos o que somos.

Nada mais nos é dado.



Cada Um de Ricardo Reis





O meu comentário???





Voltamos ao tema de "quem somos nós na realidade?"





A verdade está dita: desejamos o impossível...





Fazemos o melhor com o que é possível....





Suspiramos, barafustamos contra a sorte, o destino....





Às vezes, acomodamo-nos, pensamos ter alcançado tudo....





Outras......testamos a sorte e o impossível torna-se o possível....





No entanto, temos que saber verdadeiramente quem somos....





Para não nos perdermos na jornada....





domingo, junho 15, 2008

PALAVRAS DO POETA

A Cada Qual

A cada qual, como a 'statura, é dada

A justiça: uns faz altos

O fado, outros felizes.

Nada é prêmio: sucede o que acontece.

Nada, Lídia, devemos

Ao fado, senão tê-lo.

de Ricardo Reis

O meu comentário???

Que dizer perante o que parece ser inevitável?

Perguntas para as quais não há verdadeiramente um prémio....

Há nestas palavras muita desilusão...amargura...

Nem sempre fácil esquecer sentimentos tão negativos....

Nem podemos, ou utilizando a palavra do poeta, devemos negar que os sentimos....

Estão sempre presentes....uma espécie de prova à nossa capacidade de sobreviver...

Falar sobre o meu fado??

Chorar com as palavras do poeta.....................