sexta-feira, janeiro 16, 2009

INTERROGAÇÕES

Cedo ou tarde










Devias saber





que é sempre tarde





que se nasce, que é





sempre cedo





que se morre. E devias





saber também





que a nenhuma árvore





é lícito escolher





o ramo onde as aves


fazem ninho e as flores


procriam.










Albano Martins





Escrito a vermelho




O meu comentário???




Interrogações....


Sobre uma verdade....


Inabalável...


Nascemos e morremos....


Sol, lua, chuva torrencial ou miudinha...


Com o cheiro das flores na Primavera....


As cores ricas do Outono...


A tristeza do cinzento do Inverno...


A alegria quente do Verão....


Porém....


Encher as horas e o olhar com essa beleza...


Faz com que nunca seja tarde para nascer...


Mas, sim, é sempre cedo para morrer....


terça-feira, janeiro 13, 2009

COLORIDAS

Paleta


Tens uma paleta

a que faltam
algumas cores. Talvez

porque há substâncias
a que não soubeste

dar expressão. Ou porque elas
são incolores. Ou porque
em toda a realidade
há fendas

que nem pela palavra

nem pela cor
alguma vez
saberás preencher.


Albano Martins


O meu comentário????


Palavra e cor....

Num abraço perdido no tempo...

Nesse tempo em que não há cor....

Sente-se a solidão e o vazio...

A tinta escorre da paleta....

Pinta no chão a nossa impotência...

Perante factos que achamos que não podemos mudar...

Podemos não inventar novas cores....

Mas podemos trocar as cores do arco-íris....

Nelas escrever uma palavra....

Basta só uma para abrir o céu

e deixar que as palavras e as cores jorrem...


segunda-feira, janeiro 12, 2009

COM O MAR

Solidão

Estás todo em ti, mar, e, todavia,



como sem ti estás, que solitário,



que distante, sempre, de ti mesmo!






Aberto em mil feridas, cada instante,



qual minha fronte,



tuas ondas, como os meus pensamentos,



vão e vêm, vão e vêm,



beijando-se, afastando-se,



num eterno conhecer-se,



mar, e desconhecer-se.




És tu e não o sabes,



pulsa-te o coração e não o sente...



Que plenitude de solidão, mar solitário!






Juan Ramón Jiménez, in "Diario de Un Poeta Reciencasado"


O meu comentário???


Perante o mar, eu não me sinto só....

Sinto-me parte dele....

Desejo partir com a espuma que se enrosca nos meus pés...

Confundir-me com a areia fina...

Formar uma pequena lagoa entre os rochedos...

Reflectir o meu rosto em cada onda...

Esquecer-me........

Abandonar-me aos meus pensamentos mais profundos...

Deixar que me levem sempre até ti......

Sentir que me falas e me deixas tranquila...