sexta-feira, abril 29, 2011

PLANETA

Vive-se Quando se Vive a Substância Intacta

Vive-se quando se vive a substância intacta

em estar a ser sua ardente harmonia

que se expande em clara atmosfera

leve e sem delírio ou talvez delirando

no vértice da frescura onde a imagem treme

um pouco na visão intensa e fluida

E tudo o que se vê é a ondeação

da transparência até aos confins do planeta

E há um momento em que o pensamento repousa

numa sílaba de ouro É a hora leve

do verão a sua correnteza

azul Há um paladar nas veias

e uma lisura de estar nas espáduas do dia

Que respiração tão alta da brisa fluvial!

Afluem energias de uma violência suave

Minúcias musicais sobre um fundo de brancura

A certeza de estar na fluidez animal•

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

O meu comentário???
Delirar na brisa....
Olhar para o Mundo
intensamente.....
Com as certezas da paixão....
que se desenha nesse planeta
que é o nosso corpo...
Que mais se pode desejar
do que viver ardentemente????

quarta-feira, abril 27, 2011

BEIJO ETERNO

A nudez da palavra que te despe.

Que treme, esquiva.

Com os olhos dela te quero ver,

que te não vejo.

Boca na boca através de que boca

posso eu abrir-te e ver-te?

É meu receio que escreve e não o gosto

do sol de ver-te?

Todo o espaço dou ao espelho vivo

e do vazio te escuto.

Silêncio de vertigem, pausa, côncavo

de onde nasces, morres, brilhas, branca?

És palavra ou és corpo unido em nada?

É de mim que nasces ou do mundo solta?

Amorosa confusão, te perco e te acho,

à beira de nasceres tua boca toco

e o beijo é já perder-te.


António Ramos Rosa

O meu comentário???
Não há palavras...
Nada define o beijo....
Cresce...
Aprisiona-nos...
Sentir tudo e não ver nada.....
O beijo escorre pelo corpo todo...
Provocador....
Arrebatado....
Confunde-nos, torna-nos ansiosos....
Deixa-nos nas nuvens....
Eternamente.....

segunda-feira, abril 25, 2011

REINO DO SOL

É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo  a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um óasis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandescer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

De António Augusto Rosa

O meu comentário????
E no horizonte me declaro...
Reparo no que há de mais simples na vida...
A tranquilidade dos cheiros...
O prazer das cores...
Os sentimentos inquietos num dia,
quase sempre imperfeito....
Mas se escrevo sobre ti,
se penso em ti,
mesmo que ache
que não há coincidências,
olho o mundo doutra maneira....
Porque tu existes..
E eu deixei o reino das sombras
e vivo agora no Sol.....