sábado, outubro 31, 2009

NADA

FIM
O fim.
Tudo tem fim, nada é eterno.
O início, tal como o fim.
O nada.
Onde tudo começa.
Onde tudo acaba.
No fim não se pensa.
Fecha-se s olhos e acontece.
Mesmo sem querermos.
Ele vem, rápido e frio.
Depois começa-se tudo de novo.
Do nada, para acabar tudo onde se começou.
Sem nada!
João Costa Ferreira (Livro "II Antologia de Poetas Lusófonos")
O meu comentário???
Simples de escrever...
Nada é simples de escrever...
Porque a palavra pinta-se, disfarça-se...
Encanta-nos de maneiras diferentes....
Posso pensar que a estou a dominar...
e no final, ter escrito o que ela quis que eu escrevesse..
Não estou a escrever sobre o nada,
sobre o fim...
Escrevo sempre sobre o começo,
o recomeço...
Nas diversas vertentes da palavra...

terça-feira, outubro 27, 2009

TEMER

A HORA MAIS EXACTA

Imagens
que voltavam devagar,
se encostavam a ela sem pudor.
E no silêncio, a esfinge impenetrável,
sabendo-lhe de cor o coração:
desistente dos barcos,
depondo pelo chão de outros palácios
as armas mais preciosas.
“Não posso”, acrescentara
sentindo aproximar-se a hora
exacta.

de Ana Luisa Amaral

O meu comentário???
A hora exacta para quê???
Desistir da vida,
por não se ter encontrado o tal palácio...
Aquele sobre o qual se lê
nas histórias de crianças...
Os reinos de fantasias que
ficam sempre escondidos no coração..
Talvez porque a realidade é exactamente o oposto...
Não há horas exactas...
Há apenas horas....
As felizes
quando as conseguimos partilhar...
As amargas quando desabamos
e somos confrontadas com uma solidão que tememos...