sexta-feira, agosto 05, 2011

VER-TE

Atravesso o bosque
de castanheiros
pisando o manto das folhas
levadas pelo vento
no príncipio de outono.

Fecho a cancela  de madeira do jardim
e lavo o rosto para entrar em casa.

Esta noite
dormirei à luz das velas
se for preciso

de Carlos Saraiva Pinto

O meu comentário???
Simplesmente...
Ver-te.....
Esconder-te
 o desejo do meu corpo...
Mas, ao mesmo tempo,
ansiosa por to revelar...
Num abraço....
Ao abrigo da brisa de outono...
Num suspiro,
contra a pele quente
do teu peito....
E no olhar,
a luz do prazer....
De amar-te...


terça-feira, agosto 02, 2011

CINZAS

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta -me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


MIA COUTO

Raiz de Orvalho e outros poemas

O meu comentário???
Não quero perguntar nada....
Não há respostas
ao que é indecifrável...
Ao que nos percorre as veias.....
Ao que não o sabemos
dizer em palavras....
Essas palavras
reduzidas a cinzas
e esquecidas
no nevoeiro cerrado
que sobe do mar.....