quarta-feira, Outubro 22, 2014

O VENTO



Que notícias me trazes tu, oh Vento?
Há qualquer coisa que me escondes, porque não paras de brincar comigo!
Abres-me o casaco, puxas-me a echarpe e insinuas-te como um amante ardente aos meus cabelos! 
Oh, não, não deixes que sejam más notícias, Vento!
Deixa que feche os olhos e te siga! 
Não importa para onde; apenas quero sentir o que tu sentes, o que fazes quando os todos poderosos te desafiam e como proteges quem de ti não tem medo! 
Não, Vento, não tenho medo de ti!
Respeito-te, observo de longe as tuas fúrias, mas fico quieta, à espera que sossegues. 
Porque tu escutas-me, Vento e levas as minhas palavras aos ouvidos de quem também te sabe escutar!!!


FOTO DE JOSÉ ALEX GANDUM

UMA DAS MINHAS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE ESCRITA (EM 2004)

domingo, Outubro 19, 2014

EXÍLIO



Esta noite,
escondo-me na escuridão
Porque me sinto frágil,
e nada tranquila...
Exilo-me na noite,
desvio o olhar do tempo
e esqueço-me...
Esta noite,
deixem-me ser
apenas uma sombra...



IMAGEM DE MARY QIAN

quinta-feira, Outubro 16, 2014

PUDESSE



Pudesse eu gritar...
Tudo o que me vai na alma...
Esquecer-me no voo das gaivotas
e desbravar a fantasia do tempo...
Pudesse eu ser...
Tudo isso que sonho...
Num instante,
nesse momento,
em que compreendo finalmente
a verdade no silêncio...

FOTO DE JOSÉ ALEX GANDUM

segunda-feira, Outubro 13, 2014

A MENSAGEM NO ESPELHO



O óbvio seria desejar não ter rugas nem o cabelo branco. 
Mas a verdade é que estou a gostar de ter o cabelo branco e arrependo-me de ter seguido as modas e o ter pintado numa cor que não tinha alma.
Vejo, agora como era artificial e como me envelhecia.
São as loucuras da “juventude”, dirão… e para quê falar num passado, se o presente é diferente?
Gosto da minha imagem no espelho quando acordo.
Apesar do cabelo estar despenteado, a pele estar mais pálida e não estar tão ágil…
Porque cheguei até aqui, sem arrependimentos e em paz comigo mesmo….
A única coisa que mudaria seria o olhar.
É um olhar triste, incompleto e se me perguntarem porquê, a resposta será sempre “não sei”...
É a tal pergunta para a qual não encontrei ainda resposta.
Ainda a procuro e é essa a mensagem que continua escrita no espelho... 
Se até à minha morte, não sei... 
                          “Porque é que estás tão triste?”



Da Página "Discover Art"

Texto escrito em resposta a um desafio/passatempo da editora "Lua de Marfim".

quinta-feira, Outubro 09, 2014

POR PALAVRAS



Continuo sem palavras...
Palavras brilhantes
para falar do tempo...
O tempo que tive,
de memórias gloriosas...
Não o tempo que resta agora,
e que se confunde com lamentos...
Que me faz ficar parada na estrada,
sem saber o que fazer...
Espero por palavras...
Espero por mim...

DA PÁGINA “DISCOVER ART”

terça-feira, Outubro 07, 2014

PECADO



Pecado
Define-o... descreve-o...
Cheira-o em ti
Sente-o
impregnado na pele,
a desejar-te,
a aliciar-te...
Abraça-o sem medo
Mesmo que te digam
que é pecado...


DA PÁGINA “DISCOVER ART”

domingo, Outubro 05, 2014

MESQUINHEZ



Esqueço-me em poemas
Em poemas que escrevo
na linha do horizonte...
Em gestos de paixão,
em que declaro o meu amor
Um amor que me faz sentir
outra vez adolescente...
Rasgando a mesquinhez do Mundo...



TELA DE VICTOR BAUER