sábado, dezembro 25, 2010

MOMENTOS MEMORÁVEIS

Foi bonito
O meu sonho de amor
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa Primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais

"Frustração" de Miguel Torga, Diário XV

O meu comentário???
Não há paixões tardias....
Há apenas paixões...
E momentos para viverem em nós....
Às vezes, espera-se demais
e elas fogem....
Outras, encostam-se devagar....
E descobrimos um labirinto de emoções desconhecidas...
Que percorrem os corredores da vida,
afastando essas ironias
e essas deslealdades...
Por momentos memoráveis......



quarta-feira, dezembro 22, 2010

PRINCIPE ESFARRAPADO

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um princípe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

"Natal Chique" de Vitorino Nemésio

O meu comentário???
Não tenho pressa...
O tempo que tenho dedico-o
ao meu princípe esfarrapado...
Perdido em memórias
que não são bem memórias...
O tempo não é nada;
o mundo...o que é o mundo?
Não sei responder,
porque não há palavras....
Há, sim, amor e dedicação....
Todos os dias do ano,
sem excepção....
O meu princípe esfarrapado é o meu Pai....
88 anos,
doente de Alzheimer.....

O "Com Amor" deseja-vos um Feliz Natal e um Bom Ano 2011....



domingo, dezembro 19, 2010

A ÚNICA COISA

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha espera...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E só tivesse o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena..

"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada" de Alberto Caeiro

O meu comentário????
O sabor amargo da derrota...
O desalento e a tristeza tão latentes...
Nas lágrimas que sinto
em cada uma das palavras...
Porque também olhei para trás
e tive pena....
Não é para trás que devemos olhar;
é caminhar em frente...
Disfarçar a dor num sorriso,
que hoje não está no olhar,
mas amanhã quem sabe???
São pequenos passos,
pequenas vitórias,
 mas acontecem....
E valem a pena,
porque nos ensinam
que a única coisa de que devemos ter pena
é termos perdido tempo....
A ter pena de nós próprios....