sexta-feira, julho 18, 2008

Á CHUVA E AO VENTO

A concha


A minha casa é concha. Como os bichos

Segreguei-a de mim com paciência:

Fechada de marés, a sonhos e a lixos,

O horto e os muros só areia e ausência.


Minha casa sou eu e os meus caprichos.

O orgulho carregado de inocência

Se às vezes dá uma varanda, vence-a

O sal que os santos esboroou nos nichos.


E telhadosa de vidro, e escadarias

Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!

Lareira aberta pelo vento, as salas frias.


A minha casa... Mas é outra a história:

Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,

Sentado numa pedra de memória.


Vitorino Nemésio


O meu comentário???


Fala-se em memórias....


Fala-se em vazio....e em fragilidade....


De infelicidade....


Da casa que se deixa ao abandono...


Como que culpada dessa infelicidade...


A amargura está sempre enterrada na alma...


Segue-nos....


Bem podemos ficar sentados à chuva e ao vento....


Se não admitirmos isso....




quinta-feira, julho 17, 2008

SER SIMPLEMENTE

A minha história





A minha história é simples
A tua, meu Amor,
É bem mais simples ainda:
"Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta..."
Vês como é simples e linda?
(O resto conto depois;
Mas tão a sós, tão de manso,
Que só escutemos os dois.)





Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança


O meu comentário???

Histórias que partilho apenas contigo...

Simples segredos...

nem chegam a ser segredos...

O beijo desejado

e dado com sentimento nos lábios...

O riso cúmplice e feliz....

Dizer tudo e nada....

Porque tudo faz sentido......

quarta-feira, julho 16, 2008

PASSAR


O SONHO


Pelo sonho é que vamos,

Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não frutos,

Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.


Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos



O meu comentário???



Chegar ou partir...em sonhos...



É diferente no dia a dia....



Em sonhos, chegamos a qualquer lado....



No dia a dia.......nem sempre....



Embatemos numa muralha....




Em sonhos, ultrapassamos essa muralha facilmente....




No dia a dia...agarramo-nos à fé e à esperança..




Às vezes, a dita muralha ri-se...



Acha que é uma perda de tempo...



Ter fé e esperança....



Nunca é perda de tempo....



Eu sei...já por lá passei....



Nunca o esquecerei............



segunda-feira, julho 14, 2008

SUAVE

Crespúsculo
É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia -
que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.
David Mourão Ferreira
O meu comentário???
Despedida...porquê???
Menos um dia na vida...
Talvez...mas talvez tenha sido rico...
Naquilo que a nossa alma saboreia...
A beleza, a riqueza contida nesse equilibrio....
A vida em si...
A noite....
A cortina com quem a brisa brinca....
Quebra a monotonia....
Torna a despedida mais suave....

domingo, julho 13, 2008

MAIS TEMPO

As últimas vontades






Deixa ficar a flor,



a morte na gaveta,



o tempo no degrau.



Conheces o degrau:



o sétimo degrau



depois do patamar;



o que range ao passares;



o que foi esconderijo



do maço de cigarros



fumado às escondidas...



Deixa ficar a flor.



E nem murmures.Deixa



o tempo no degrau,



a morte na gaveta.



Conheces a gaveta:



a primeira da esquerda,



que se mantém fechada.



Quem atirou a chave pela janela fora?



Na batalha do ódio,



destruam-se,fechados,



sem tréguas,os retratos!






Deixa ficar a flor.



A flor?



Não a conheces.



Bem sei.Nem eu.Ninguém.



Deixa ficar a flor.



Não digas nada.Ouve.



Não ouves o degrau?



Quem sobe agora a escada?



Como vem devagar!



Tão devagar que sobe...



Não digas nada.Ouve:



é com certeza alguém,



alguém que traz a chave.



Deixa ficar a flor.






David Mourão Ferreira






O meu comentário???


Quem sobe a escada???


Como se a nossa vida fosse subir e descer patamares....


No cimo de tudo, o segredo que não se domina totalmente........


Ou é realmente de Morte que aqui se fala??


Haja realmente uma chave que abre as Portas de um outro Mundo...


Não se fala, não se pensa nela....


Fala-se apenas dos tempos...


Memórias engraçadas de infância...


O travo amargo acentua-se.....


Temos sempre pressa de crescer, de mudar o Mundo...


Mas em que Mundo vivemos mais tempo????