sexta-feira, julho 18, 2008

Á CHUVA E AO VENTO

A concha


A minha casa é concha. Como os bichos

Segreguei-a de mim com paciência:

Fechada de marés, a sonhos e a lixos,

O horto e os muros só areia e ausência.


Minha casa sou eu e os meus caprichos.

O orgulho carregado de inocência

Se às vezes dá uma varanda, vence-a

O sal que os santos esboroou nos nichos.


E telhadosa de vidro, e escadarias

Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!

Lareira aberta pelo vento, as salas frias.


A minha casa... Mas é outra a história:

Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,

Sentado numa pedra de memória.


Vitorino Nemésio


O meu comentário???


Fala-se em memórias....


Fala-se em vazio....e em fragilidade....


De infelicidade....


Da casa que se deixa ao abandono...


Como que culpada dessa infelicidade...


A amargura está sempre enterrada na alma...


Segue-nos....


Bem podemos ficar sentados à chuva e ao vento....


Se não admitirmos isso....




3 comentários:

Só Eu disse...

Ora aí está um poema dum Homem das Ilhas (tanto mar à volta...)
"A amargura está sempre enterrada na alma"... Sublime. Perfeito.
Parabens pela surpresa. Funcionou.
Beijinhos

Xinha disse...

Por falar em chuva e veno... eu vim de guarda-chuva !! ;)

Marta. as suas escolhas são de extrema sensibilidade.
Os seus coemtários são rigorosos!

Xi-coração

Sol da meia noite disse...

Bela poesia!

Casa que é o refúgio de nós, do nosso sentir...

Marta, um bom Domingo para ti.


Beijinho *
:-)