terça-feira, março 15, 2005

SEM SABER PARA ONDE

Mendiga – Florbela Espanca

Na vida nada tenho e nada dou;
Eu ando a mendigar pelas estradas...
No silêncio das noites estreladas
Caminho sem saber para onde vou!
Fiz o que não devia, Florbela!
Mendiguei o amor de alguém e aprendi, da forma mais dura que não se deve fazer isso!
O amor dá-se, conquista-se, explora-se nas noites estreladas de que falas!
Mas não se pode mendigar - porque não é verdadeiro!
Apenas ficamos com falsas ilusões e depois, quando acaba, ficamos realmente sem saber para onde vamos!

TORTURA

FLORBELA ESPANCA – Neurastenia

Chuva... tenho tristeza! Mas porquê?
Vento...tenho saudades! Mas de quê?
Ò neve que destino triste o nosso!
Ó chuva! Ó vento! Ó neve!
Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura
Digam isto que sinto que eu não posso!!...
Como eu te entendo!
É realmente uma tortura ter que esconder a dor, Florbela!
Morte = libertação!
Mas, Florbela, eu não posso - eu tenho que ficar!
Os outros pouco importa o que pensam e o que dizem- mas, os meus Pais não!

segunda-feira, março 14, 2005

NADA

Reli novamente o poema da Florbela Espanca, “Em vão” e acho que as coisas só serão em vão se desistirmos!
Valorizamos o que não devemos e esquecemos que há outra gente que merece que se perca tempo com ela.
Eu perdi tempo com alguém, que não merece que eu o faça, porque olhando para trás, vejo que nada me deu em troca.
Ignorou-me (culpa minha ou não, não interessa) e a decisão que tomou, nada tem a ver comigo!
É triste ter que pensar assim; custa-me pensar assim, mas como diz o poema de Sophia:


Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão

Aqui não houve amizade; nem qualquer partilha – é apenas alguém que se conhece e a quem se diz olá do outro lado do passeio, sem parar!