sábado, janeiro 03, 2009

ATROZ

Coração! Esquecê-lo-emos!






Tu e eu – esta noite!







Tu poderás esquecer o calor que nos deu –







Eu esquecerei a luz!







Quando o tiveres feito, peço-te que me digas~







Para que eu possa recomeçar!







Apressa-te!







Senão, enquanto te demoras







Lembrá-lo-ei!







Emily Dickinson









Poema enviado por Vasco (vbm) do blog Conversas de Xaxa







O meu comentário???




Será tal possível???



Esquecer...



.....ignorar....



.....passar por cima......



Expressões banais.....



.....para definir.....



Essa mágoa que insiste em se alojar aqui...



.....no coração...



Não, não é mágoa....



É uma dor mais profunda,



mais enraizada....



Rasga-me.....



Sufoca-me...



Fecha-se em mim....



Numa escuridão atroz.....



Por isso.....



Esquecer-te..........



Nunca............



quinta-feira, janeiro 01, 2009

EM CASA

Senhora da Boa Viagem


Na varanda marquei Peniche e Berlenga

Posso parecer tolinho alucinado

Explico, haverá quem entenda

Se o vento sopra do Norte

Olha-se a ilha levanta-se a tenda

Não chove, vê-se longe a Berlenga

No campo semeia-se o trigo

A ausência de chuva não será lenda

Do rural campo vem o pão

Do mar da vila o peixe

Depois vem o Verão

Todos em festa agradecem a Deus


Da Senhora da Boa Viagem a intercessão

Junto ao mar, no Alto da Vela

Ali à beira o gozo e a diversão

Festa e folia, pois então

No alto do mar passará a procissão

Nos barcos, muitos vamos entrar


Fazer a viagem de adoração


Olham-nos todos engalanados!...

Flâmuas e miríades de luzes

Nas águas reflectem um vistão

Seguem perfilados, passando o Carvoeiro

A meio percurso da Berlenga

Viram,

como apontassem à Consolação


Num segue o andor com a Senhora

Ali vai Soberana, como protectora

Num outro a banda, tocando

Fazendo solene a ocasião

Já nos cais a apoteose, com grande animação


Fogo de vista aquático e a emoção

Embevecida a Senhora da Boa Viagem

Também preside e pensará:

Adora-me este povão!...


Poema enviado por Daniel Costa do blog Daniel Milagre


O meu comentário???


Eu???....


Faço parte da festa...


Ninguém quer saber se sou da terra ou se venho de fora...


Especial o dia.....


Celebra-se o regresso a casa.....


Já não se pensa nos dias fora do porto....


A lutar contra os humores do mar
e do peixe que se esquiva das redes...

Hoje....
o riso dança.....

Nos olhares daqueles com quem me cruzo....

E, eu sinto-me estranhamente em casa...

segunda-feira, dezembro 29, 2008

SIMPLES E TEIMOSA

A Lágrima é uma gotinha


A lágrima é uma gotinha,

Que mostra a tristeza

E o belo da beleza.

Que mostra o sofrimento,

Da dor que doe, que tritura,

De alguém que acabara de morrer

Com um grande lamento.

Que mostra a alegria,

No seu sorriso bonito

Ao ter amor para amar....

Numa linda amizade,

Para toda a vida gostar,

E a quem vem alegrar...


A lágrima é uma gotinha,

Que transforma o momento

Num grande sentimento...

De alguém que parte,

Alguém que chega,

Ou alguém que muito ama...

De alguém que sofre por amor

Num triste desamor!

A lágrima é o sentimento,

De um coração,

Num grande momento....

Que mostra a toda a gente,

A sua sensibilidade,

Sem o querer,

Na tristeza e na felicidade.

Será sempre um presente,

Poderá ser uma fronteira,

Daquilo que o seu coração sente,

Como uma bandeira.

A lágrima é uma gotinha,

Que junta a muitas outras...

É como uma torrente,

De sentimentos a cruzar,

Na dor, na alegria,

No pesar, na magia

E no poder amar..

Abril 2007 - poema de ZezinhoMota do blog "A poesia do Zezinho"


O meu comentário???


Lágrima....

Teimosa....

É uma palavra que fica calada...

Mas não cala a emoção....

O desgosto, a traição ou a vitória....

Lágrima...

Alívio....

Nunca sinal de cobardia....

Completa o sentimento....

O banal e o exclusivo....

Porque se dá tudo e tudo se recebe....

Numa simples e teimosa lágrima.....

domingo, dezembro 28, 2008

RESPIRAR PROFUNDAMENTE

Meu País de Marinheiros

de António Nobre


Georges! anda ver meu país de Marinheiros,

O meu país das naus, de esquadras e de frotas!


Oh as lanchas dos poveiros

A saírem a barra, entre ondas de gaivotas!

Que estranho é!

Fincam o remo na água, até que o remo torça,


À espera de maré,

Que não tarda aí, avista-se lá fora!

E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca,

Clamam todas à urra: «Agora! agora! agora!»


E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo

(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)

Que vista admirável!

Que lindo! Que lindo!

Içam a vela, quando já têm mar:

Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,


Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,

Rosário de velas, que o vento desfia,

A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:


Senhora Nagonia! Olha acolá!

Que linda vai com seu erro de ortografia...

Quem me dera ir lá!


Senhora Daguarda!

(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)

Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda

O caçador!


Senhora d'ajuda!

Ora pro nobis!


Caluda! Semos probes!

Senhor dos ramos

Istrela do mar!

Cá bamos!


Parecem Nossa Senhora, a andar.


Senhora da Luz!

Parece o Farol...

Maim de Jesus!

É tal e qual ela, se lhe dá o sol!


Senhor dos Passos!

Sinhora da Ora!


Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços

Parecem ermidas caiadas por fora...


Senhor dos Navegantes!

Senhor de Matosinhos!


Os mestres ainda são os mesmos dantes -


Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,

A mailos quatro filhinhos,

Vasco da Gama, que andam a ensaiar...


Senhora dos aflitos!

Mártir São Sebastião!

Ouvi os nossos gritos!


Deus nos leve pela mão!

Bamos em paz!


O lanchas, Deus vos leve pela mão!

Ide em paz!


Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,

O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,

E das vagas, aos ritmos cadenciados,

As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,

«As armas e os varões assinalados...»


Lá sai a derradeira!

Ainda agarra as que vão na dianteira,..

Como ela corre! com que força o Vento a impele:

Vamos com Deus!


Lanchas, ide com Deus!

ide e voltai com Ele

Por esse mar de Cristo...

Adeus! adeus! adeus!


Poema enviado pela Ematejoca


O meu comentário???


Lá fico eu só...


Pouco me importa se sempre desbravamos o mar...


"se edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram"


Como diz Camões...


Só quero que ele volte...


Peço a Deus...


Virei todos os dias a esta capelinha...


Aqui na praia....


Acenderei velas, rezarei o terço...


Cantarei nas procissões....


Falarei com Deus...


Só vou respirar profundamente...


Quando ele regressar....