quarta-feira, setembro 15, 2010

VERDADEIRA

Se é real a luz branca
desta lâmpada, real
a mão que escreve, são reais
os olhos que olham o escrito?

Uma palavra à outra
o que digo desvanece-se.
Sei que estou vivo
entre dois parênteses.

Certeza de Octavio Paz in "Dias Hábeis"
Tradução de Luis Pignatelli

O meu comentário???
Sem contar as horas,
ou os anos.
Ou entristecer
porque ninguém lê
o que escrevemos.
A chave para a realidade
é a luz.
Interpretar,
descrever a luz.
Essa luz segura,
tranquila.
Em que o medo não entra,
em que nada pode
desvanecer-se,
porque a luz é bem real.


segunda-feira, setembro 13, 2010

ALMA LIVRE

Quero dos deuses só que não me lembrem
Serei livre - sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem os deuses concedem,
Nada, tem liberdade

"Quero dos deuses só que não me lembrem"
de Ricardo Reis, in "Odes"

O meu comentário???
Não sei...
Porque não sei se os deuses,
 alguma vez,
me concederam
alguma coisa...
Estranho pensar nisso agora...
Quando o meu reflexo no espelho
 é finalmente claro...
Não que não tenha dúvidas,
porque as tenho...
Mas porque posso ver
como os meus olhos
estão brilhantes...
E isso significa que
a alma está livre....