sábado, janeiro 09, 2010

A VIDA

Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
Sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
De Miguel Torga
O meu comentário???
A maior aventura??
A maior ilusão???
Viver...
Gritar bem alto que se está vivo...
Não ter medo
dessa loucura saudável...
A vida
que se reconhece,
se abre em nós...
No reflexo do espelho,
sem nos intimidar
pela pressa dos outros...
Nós vamos saborear
muito mais que o fruto...
Nós vamos viver no pomar
desse sonho
maior que o Mundo...
A vida, enfim...

quarta-feira, janeiro 06, 2010

AINDA VIVO

Meu amor meu amor

meu corpo em movimento

minha voz à procura

do seu próprio lamento.


Meu limão de amargura meu punhal a escrever

nós parámos o tempo não sabemos morrer

e nascemos nascemos

do nosso entristecer.


Meu amor meu amor

meu nó e sofrimento

minha mó de ternura

minha nau de tormento


este mar não tem cura este céu não tem ar

nós parámos o vento não sabemos nadar

e morremos morremos

devagar devagar


"Meu amor meu amor" - José Carlos Ary dos Santos


O meu comentário???


Podemos não saber nadar...

Sabemos sonhar...

Sonhos tristes não....

deixar que as tormentas se calem...

Esperar pelo Vento, pelo Sol...

Encanto encontrado na doce sensação de beijos solares...

Rir e naufragar na ternura do corpo envelhecido,

mas ainda vivo....

Nunca morrer...

nunca deixar o sonho morrer...

Mesmo que o nome desapareça....


PARA OS MEUS PAIS....

segunda-feira, janeiro 04, 2010

TUDO O QUE PEÇO

EPÍGRAFE


De palavras não sei. Apenas tento

desvendar o seu lento movimento

quando passam ao longo do que invento

como pre-feitos blocos de cimento.


De palavras não sei. Apenas quero

retomar-lhes o peso a consistência

e com elas erguer a ferro e fogo

um palácio de força e resistência.


De palavras não sei. Por isso canto

em cada uma apenas outro tanto

do que sinto por dentro quando as digo.


Palavra que me lavra. Alfaia escrava

De mim próprio matéria bruta e brava

expressão da multidão que está comigo


De José Carlos Ary dos Santos



O meu comentário???


Também nada sei sobre as palavras.

Mas sei o que sinto quando as escrevo,

quando deixo que tomem conta de mim...

Mesmo quando choro e elas o dizem...

Que falem de mim,

sem pena...

Que me ignorem,

até que me passe a tristeza...

Expliquem-me os desejos,

a razão porque as devo escrever...

Tudo o que peço....

Que me façam sentir viva.....