sexta-feira, janeiro 14, 2005

PROFUNDO

Doces ilusões sobre o amor!
Doces sonhos!
Mas mente quem diz que nunca sonhou com um amor assim!
Profundo!
Em que desejamos ser cavaleiros andantes
para que todos saibam como amamos!
Que usamos o amor como troféu!
Como resposta a tudo!
Mas... o pior de tudo é o mas!

ESQUECIMENTO

Aqui estou eu, baralhada de novo!
Já não sei quem é a criança mimada aqui! Eu não sou obrigada a fazer o que tu queres!
Tenho direitos, responsabilidades, sonhos, que posso ou não partilhar contigo ou com outro pessoa.
Não quero viver a minha vida nesses moldes - a vida não pode ser uma ameaça perpétua!
Lembro-me dum certo excerto do poema "Discurso" de Cecília Meireles, que descobri recentemente:

"Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
"
Deixa-me em paz; EU SOU UMA PESSOA!
Nunca, mas nunca te esqueças disso!

terça-feira, janeiro 11, 2005

VIVALDI


Voltando ao poema de Sophia de Melo Breynor Andersen, "Ausência", eu acredito que haja um amor assim.

Amor profundo, limpído, sentido, completo em que a partida dum significa a derrocada do outro.

Nada tem a ver com fragilidade - tem a ver com o sentimento em si, com a dedicação, com os olhares secretos, que todos notam, mas ninguém descobre o significado!

Um amor forte, nobre, engrandecido com a música de Vivaldi - As 4 Estações - o princípio, o auge, a descida e o fim!
Ou a paixão, o amor, o conforto e a morte!

segunda-feira, janeiro 10, 2005

PEQUENO

Engraçado pensar como a tua ausência não me é pesada!
Há um poema da Sophia de Mello Breyner Andersen, que fala nisso:

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Eu lembro-me, sim da violência das tuas palavras, do medo que senti!
Foi um acto de coragem enfrentar-te novamente, mas descobri que, afinal és muito "pequeno"!

domingo, janeiro 09, 2005

PERDIDA NA NÉVOA

Agora que tudo passou, ao olhar para trás, vejo que afinal não gostei tanto de ti como pensei.
Foste arrogante, vingativo e quando não cedi às tuas exigências, deixaste-me sozinha!

Foi um verdadeiro inferno; tive a impressão de que andava sobre brasas, de que a minha pele era papel e bastava um pequeno toque para que ficasse pisada, cheia de pequenas fissuras.

Muitas dessas fissuras abriram e a dor do desconhecido, pois eu caminhava à toa, fez com que desejasse isolar-me, esconder-me de um mundo que me tratava como se fosse um bicho fedorento.

Sinto –me “uma criança doida e crente” tal como a Florbela Espanca descreve no seu poema “Torre de Névoa”.

Às vezes, estamos mesmo perdidos na névoa e só vemos onde é que realmente estamos quando esta se dissipa!