sábado, setembro 22, 2007

DESLUMBRANTE

Escrevo-te com o fogo e a água.
Escrevo-te no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
António Augusto Rosa (excerto) - Escrevo-te com o fogo e a água

O meu comentário??
Quem não sonha...
... dançar debaixo de chuva ou sentir o fogo da paixão?
O prazer em se amar e se ser amado...
Usufruir das sensações..
dos sentimentos...descobrir-se, idealizar-se...
Olhar-se para além do reflexo do espelho.....................
Surpreender-se e ser surpreendido....
Fazer parte da vida, estar em sintonia...um com o outro...
E com um planeta que deveria ser deslumbrante....

quinta-feira, setembro 20, 2007

ESCREVER SOBRE AMOR

Este é o poema do amor.
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.
António Gedeão - Poema de Amor
O meu comentário??
Quem não gosta de falar,
sentir ou escrever sobre o amor?
Sentir-se um gigante...
Escrever na areia...
Escrever no ar...
Escrever no pó das estrelas....
No vento, na lua....
Na espuma ao mergulhar no mar....
Também estou a escrever a palavra amor
....amor...amor...amor....
Quantas vezes?
Estas e as escritas mentalmente................

terça-feira, setembro 18, 2007

VARIAÇÕES

PRIMEIRA IMAGEM

Numa tarde de sol,
dispôs-se no bordado e a bordar.
É que a luz da varanda era tão forte
que os olhos se detinham,
implodindo.
“Um sonho”, desejara.
E alguém, sorrindo,
lentamente afastou-se,
monte acima.

ANA LUÍSA AMARAL, Imagens, Campo das Letras, 2000: 11
O meu comentário??
Quem não gosta de sonhar?
De gozar uma tarde de sol....sem nada fazer....
Apreciar apenas o que nos rodeia..............
Deixar que a luz nos invada...
Não só o corpo....deixando que os olhos se dispersem....
busquem novas paragens.........
encontrem novas paisagens....
Novos sorrisos...
Novas imagens...
variações sobre a que realmente visualizamos..............

segunda-feira, setembro 17, 2007

PEDAÇOS

Mas agora só podia aguardar a passagem do tempo
sem palavras; ou um vento de feição, um acaso
que tudo justificasse. E no silêncio em que se ia
guardando buscava apenas um lugar mais sereno
para as memórias.
(excerto) Maria do Rosário Pedreira
A Casa e o Cheiro dos Livros

O meu comentário??
Memórias - às vezes tudo o que resta...
O silêncio ajuda a relembrar, a reviver...
Momentos que guardam muito de nós;
espelhos, histórias, pedaços...
A vida em si...
Para recordar esses momentos....
não há verdadeiramente necessidade de palavras...........
Basta sentir com o vento.................