sábado, junho 11, 2011

GRANDIOSAS

Os amantes abrem o livro do que sentem
e só aceitam fechá-lo quando tudo
está já dito, sofrido, confessado.
Só eles existem enquanto a paixão dura
e só a luz do que sentem e sonham
é capaz de iluminar as veredas em que se perdem.
Só eles sabem o que sentem
e são de ontem, de hoje e de sempre,
eternos e livres, grandiosos e trágicos
como uma obra que quisesse resumir
a história toda do coração do mundo.

Excerto do poema "Último Poema dos Amantes" de José Jorge Letria,
in "O livro dos Amantes"

O meu comentário????
Nada resume...
Porque perdemo-nos
num labirinto de cores,
sensações e emoções....
Verdadeiras, vibrantes, grandiosas...
E, sim, livres
no nosso corpo, na nossa alma....
Nos risos e nos sonhos....
Encontramos a sensualidade,
o erotismo num desejo desconhecido,
que não nos atrevíamos a nomear....
Porque não era o momento
para vivermos a paixão....
É agora,
hoje,
neste instante, 
este minuto que é eterno...
Que, do nosso espelho nunca desaparecerá.....


quinta-feira, junho 09, 2011

SEM PALAVRAS OU VOZ

"Tu já não és só a minha amante, a mulher a quem dei para
sempre o meu coração: és mais que isso, és realmente a esposa da
minha alma, aquela a quem tenho consagrado a minha existência, e
para quem somente quero viver.
Juro-te isto à face do ceú e da terra, por minha honra to prometo.
Que mais queres que te diga, que mais há que prometer ou que fazer?"

Almeida Garrett em carta à viscondessa da Luz
(in "O Livro dos Amantes" de José Jorge Letria)

O meu comentário???
Nada....
Estou sem palavras, sem voz....
Escuto a tua, aguardo-a....
Sinto nela a paixão que aqui leio....
Não quero que me digas mais nada...
Prometas ou faças....
Também eu já não saberei viver mais sem ti.....

terça-feira, junho 07, 2011

AFECTO

A Minha Saudade Tem o Mar Aprisionado
A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque não posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que não prendem pássaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.

Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um distúrbio da paixão.

José Jorge Letria,
in "A Metade Iluminada e Outros Poemas"

O meu comentário???
Pode ser o brilho do olhar...
Um sorriso triste ou simplesmente um abraço...
Afecto,
que se manifesta de tantas maneiras...
Como o mar ao enroscar-se em nós
e devolver-nos a capacidade de voltarmos a sonhar....
Ah, saudade das minhas gargalhadas felizes....
Agora, choro tanto por dentro,
que não sei se voltarei a rir....