segunda-feira, setembro 13, 2010

ALMA LIVRE

Quero dos deuses só que não me lembrem
Serei livre - sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem os deuses concedem,
Nada, tem liberdade

"Quero dos deuses só que não me lembrem"
de Ricardo Reis, in "Odes"

O meu comentário???
Não sei...
Porque não sei se os deuses,
 alguma vez,
me concederam
alguma coisa...
Estranho pensar nisso agora...
Quando o meu reflexo no espelho
 é finalmente claro...
Não que não tenha dúvidas,
porque as tenho...
Mas porque posso ver
como os meus olhos
estão brilhantes...
E isso significa que
a alma está livre....

5 comentários:

argumentonio disse...

Marta, o comentário chega, por outra via, à mesmo conclusão do poema: a liberdade!

e há lá melhor?

;_)))

rouxinol de Bernardim disse...

Liberdade, liberdade
quem a tem chama-lhe sua
nem é livre a eternidade
do sol é escrava... a triste lua!

Graça Pires disse...

"porque posso ver
como os meus olhos
estão brilhantes...
E isso significa que
a alma está livre...."
Belíssimo!
Ricardo Reis é um provocador que nos faz pensar, como todos os poemas de Pessoa...
Um beijo, minha amiga.

Ana Luar disse...

Não acho relevante quem nos concede a liberdade a partir do momento em que ela seja uma realidade nossa... muito nossa.

Lou Albergaria disse...

Quem carrega a poesia na alma como você só pode estar livre...

A Liberdade de Ser é uma dádiva que só o olhar de poeta concede.

Beijo!