quarta-feira, abril 27, 2011

BEIJO ETERNO

A nudez da palavra que te despe.

Que treme, esquiva.

Com os olhos dela te quero ver,

que te não vejo.

Boca na boca através de que boca

posso eu abrir-te e ver-te?

É meu receio que escreve e não o gosto

do sol de ver-te?

Todo o espaço dou ao espelho vivo

e do vazio te escuto.

Silêncio de vertigem, pausa, côncavo

de onde nasces, morres, brilhas, branca?

És palavra ou és corpo unido em nada?

É de mim que nasces ou do mundo solta?

Amorosa confusão, te perco e te acho,

à beira de nasceres tua boca toco

e o beijo é já perder-te.


António Ramos Rosa

O meu comentário???
Não há palavras...
Nada define o beijo....
Cresce...
Aprisiona-nos...
Sentir tudo e não ver nada.....
O beijo escorre pelo corpo todo...
Provocador....
Arrebatado....
Confunde-nos, torna-nos ansiosos....
Deixa-nos nas nuvens....
Eternamente.....

5 comentários:

Cacarol disse...

Gosto do António Ramos Rosa!

A. Jorge disse...

Não há palavras mesmo!...

Beijos

Jorge

http://escarniosmaldizeres.blogspot.com/

Álvaro Lins disse...

Excelente escolha... como sempre!
Bjo

Sofá Amarelo disse...

Não se pode definir o beijo com palavras... um beijo só pode ser definido com outro... beijo!

Graça Pires disse...

Ramos Rosa, sempre excelente...
Concordo contigo:"Não há palavras.
O beijo escorre pelo corpo todo...
Provocador....
Arrebatado...."
Um grande beijo, minha amiga.