sexta-feira, junho 20, 2008

LABIRINTO

O amor que sinto


O amor que sinto

é um labirinto.


Nele me perdi

com o coração

cheio de ter fome

do mundo e de ti

(sabes o teu nome),

sombra necessária

de um Sol que não vejo,

onde cabe o pária,

a Revolução

e a Reforma Agrária

sonho do Alentejo.

Só assim me pinto

neste Amor que sinto.


Amor que me fere,

chame-se mulher,

onda de veludo,

pátria mal-amada,

chame-se "amar nada"

chame-se "amar tudo".


E porque não minto

sou um labirinto.


José Gomes Ferreira



O meu comentário???



Declaração de amor....



Entrega total ao que é amor...



Sem mentiras...



Cristalino.....



Não me parece indeciso...o poeta....



Admite ter chegado ao limite....



Em que o amor enche a alma e a vida...



Torna-se, realmente num labirinto....



Uma teia de sentimentos e de emoções.....

5 comentários:

Só Eu disse...

Autenticas delicias (quer Jose Gomes Ferreira quer o teu comentário)
Marta:
Admiro a tua sensibilidade.
Beijinhos labirinticos...

Xinha disse...

O Amor no seu estado puro. A total entrega ausente de medos e preconceitos!

Mais uma belissima escolha, seguidos de comentários perfeitos!!

Bom fim de semana.

Xi-coração

tufa tau disse...

o meu amor tem um nome...

tão fácil de pronunciar.

um abraço´

Sol da meia noite disse...

Talvez o amor seja mesmo o labirinto do sentir.
Sentires bem difusos nos faz sentir...

Bj *

RENARD disse...

Olá Marta:

Sabes, esse poema a mim transmite-me o amor do poeta pela sua terra e país.

Existe um poema que, na minha opinião, é o mais bonito e "verdadeiro" retrato de Portugal:

Desfolhada

Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.
Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.
É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor
filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor.

Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.

Minha raiz de pinho verde
meu céu azul tocando a serra
oh minha água e minha sede
oh mar ao sul da minha terra.

É trigo loiro
é além tejo
o meu país
neste momento
o sol o queima
o vento o beija
seara louca em movimento.

Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.

Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.
Moira escondida
moira encantada
lenda perdida
lenda encontrada.
Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.
Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.


Lindo!

Beijinho e passa lá para beberes um chá gelado e ouvires a minha música preferida...