quarta-feira, janeiro 27, 2010

MÁGICO

Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.
A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto...
E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas...
Por ti me reconheço e contradigo
chão de palavras mágicas joio e trigo
apenas por ternura levedadas....
"Soneto de Mal Amar" de Ary dos Santos
in "O Sangue das Palavras"
O meu comentário???
E é sangue que sinto ao morder os lábios..
Ao sentir todo esse desejo
de largar nas palavras escritas
O que não desabafo...
Esse amor...
esse ciúme...
sempre com esse desejo...
Essa ternura caótica
que percorre todo o meu corpo...
Em que tudo,
não só as palavras,
é mágico....
Porque é puro
e suspira em mim...

5 comentários:

Daniel Costa disse...

Marta

Nunca tinha lido o presente poema de Ary dos Santos, em primeiro lugar agradeço esta "chance".
Quanto ao teu comentário, sendo muito dificil igular o poeta, terás seguido mais a tua linha. Porém, sinceramente acho que conseguiste corresponder à força da poesia do Ary, mostrando assim a versatalidade poética, que te reconheço.
Simplesmente gostei.
Beijos
Daniel

Luis F disse...

Um poema, um homem, as palavras que ficam no tempo... marcam o momento, a voz que se solta, o verso que abraça o coração...

Parabéns por esta postagem, gostei muito

Bjs
Luis

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA MARTA, ADOREI O POEMA E O COMENTÁRIO... SUBLIME AMIGA... BOM FIM DE SEMANA... ABRAÇOS DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA

Alvaro Gonçalves disse...

A bem da verdade ando ausente de muitas coisas, mas não me esqueço de ninguém, pode parecer uma frase feita, palavras gastas, mas a verdade por muito clichê que seja é mesmo essa, por isso aqui passo hoje para te dizer que este continua a ser um espaço meu de eleição, obrigado.
Beijoooooooooooos

Sofá Amarelo disse...

Cada palavra escrita - ou antigamente dita - por Ary dos Santos, vem cheia de força, marca presença, está no sítio onde mais nenhuma palavra pode estar! Que o chão se encha de palavras mágicas!