segunda-feira, setembro 20, 2010

ONDA DO TEMPO, ONDA DO MAR

De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante diáfano;
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
o meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.

E flutuo, já sem mim, pura existência

"Dia" de Octavio Paz in "Liberdade sob palavra"
Tradução de Luis Piganalli

O meu comentário???
A onda do tempo é como a onda do mar.
É única - por vezes, cruel...
Desconhece o que é a luz
ou finge que não a vê...
Porque só existe
e naquele momento, não há nada...
Passado, presente ou futuro...
Paisões, desejos, amor...
Nada...
Nem mesmo os meus gritos de revolta
 o impedem...
De arrasar as memórias
da verdadeira razão de existir...
O tempo é como o mar....
Talvez o mar não seja tão impiedoso
 como o tempo....
Perdoem-me
se disser que não sei....
Não sei mesmo....

4 comentários:

Daniel Costa disse...

Marta

Passando a ler bem ambos os poemas, como sempre independemente, do outras considerações de usufruir de um bom momento de poesia.
Beijos

Graça Pires disse...

"Talvez o mar não seja tão impiedoso como o tempo....
Concordo. Escondido na sombra o tempo denuncia o instatante, o último, que nos separa das cinzas...
Um beijo, Marta

LOURO disse...

Olá Marta!

Dois belos poemas...Gostei!!!

Beijinhos de carinho.
Lourenço

Lou Albergaria disse...

O Tempo talvez seja só o que resta quando não restar mais nada...

Beijo, Marta!!!

Seus escritos são sempre um convite à reflexão e ao amor.

Adoro vir aqui.