terça-feira, dezembro 14, 2010

CHEIROS, EMOÇÕES E SENTIMENTOS

Ás vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe.
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então, porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis,  vêm ter comigo as mentiras dos homens.
Perante as coisas.
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o vísivel!

"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta" de Alberto Caeiro

O meu comentário???
Claro que significa...
Sem a beleza, as mentiras dos homens
seriam ainda mais duras...
A luz deixaria de ser perfeita
e o simples não existiria....
Não é o visível que se procura;
é o que está por detrás desse visível....
Muito mais que a forma e a cor....
É o assimilar dessa forma e dessa cor....
Em cheiros, emoções, sentimentos....

4 comentários:

Valquíria Oliveira Calado disse...

Muito linda querida, a beleza de amar é incomparável, beijos.

Daniel Costa disse...

Marta

A beleza está no forma como vemos as coisas, creio que poderei interpretar assim o grande vate. Lendo a réplica, a mesma está bem e não andará longe de proporcionar essa intrepretção.
Beijos

Graça Pires disse...

Alberto Caeiro é incontornável.
E dizes bem: "Não é o visível que se procura;
é o que está por detrás desse visível...."
Um grande veijo.

Machado de Carlos disse...

Sabe o que é beleza? São as palavras dos seus versos!

Beijos!...