quinta-feira, dezembro 09, 2010

RIMAS VERDADEIRAS

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor.
Mas com menos perfeição
no meu modo de exprimir-me.
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me.
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado.
E a minha poesia é natural como levantar-se o vento.

"Não me importo com as rimas" de Alberto Caeiro

O meu comentário???
É simples e é divino....
Exactamente por isso...
Por ser natural e falar com alma...
Da cor das flores,
das lágrimas que insistem em espreitar...
Do vento que nos acaricia
e nos enlouquece...
Da fantasia que rompe a escuridão...
Do simples acto de respirar
e estar presente....
Em rimas verdadeiras....

4 comentários:

O Profeta disse...

...Quem sou
Nunca me encontrei na letra de uma canção
Nunca toquei duas notas seguidas em harmonia
Mas perdi-me às vezes na ilusão

Reencontrei-me com o amor
Amargura mora sempre com a razão
Um mágico nem sempre acerta
No seu golpe de mão

Mas fiz mil tentativas nesta viola
Nenhuma nota bateu-me certa
Sou um triste e patético tocador
Desta...Melodia Incompleta...

Doce beijo

Daniel Costa disse...

Marta

Da poesia de heterónimo de Pessoa, Alberto Caeiro. Tudo o que vem de Fernando Pessoa é, por natureza boa literatura, mas o que é interessante que te bates muito bem para dar um idéia deles com o a tua interessante versatilidade poética.
Já nem tenho de me admirar, o que mais tenho é de gostar, e gosto mesmo.
Beijos

helia disse...

"Rimas Verdadeiras"... Gostei muito!

onzepalavras.com disse...

Adorei o poema, as belas imagens e as sensações que o texto provoca.

Parabéns, Marta!

Beijos,

Ana