sexta-feira, janeiro 21, 2011

UM CRIME

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

De Alice Vieira, "Amor e Outros Crimes em Vias de Perdão"

O meu comentário???
Vazios de amor e de vida....
Os olhos que se fixam no espelho
e não se reconhecem...
Feridos, desiludidos, distantes...
Os ombros estão contraídos;
a boca está seca...
As palavras enrolam-se,
sem sedução, sem sonhos....
E isso é realmente um crime.....


5 comentários:

BlueShell disse...

Quando o medo de se peredr quem muito se ama se abate sobre cada dia do nosso viver...nada mais importa. Os dias vestem-se do negro , cor de medo......
O cancro está lá. Do IPO não chega o telefonema a marcar a data para a cirurgia, que se precisa e se teme....
e mo dedo de se perder quem tanto se ama tolhe-nos os sentidos e deixamos de poder sonhar!
Tenho tanto medo...e já não choro, nem sonho....espero....de olhar vazio. E o castanho de meus olhos nada tem a dizer da dor que transborda da minha alma.
Tenho medo...e não sonho, nem choro já....
Beijo
BShell

Mar Arável disse...

Os espelhos também mentem

Graça Pires disse...

Alice Vieira revelou-se uma poeta excelente. Gosto do poema dela e gosto do teus comentário "As palavras enrolam-se,
sem sedução, sem sonhos....
E isso é realmente um crime..."
Quando os próprios olhos não se reconhecem no espelho é porque algo os cegou...
Um beijo, Marta.

Je Vois la Vie en Vert disse...

O poema que publicaste tem alguma coisa a ver com o provérbio que coloquei no meu blog bem como a foto.

Beijinhos, Marta !
Verdinha

Maria José Martins Mendes disse...

"Que minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha a coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo..."
Clarice Linspector