quinta-feira, setembro 15, 2011

PRESENTE INTENSO

Amei a tua inquietação; e disseste-me que
te amei sem saber porquê, que as marés anunciavam
o luar que não chegou, que não foi preciso
olhar o fundo transparente das palavras
para que a sua verdade nos tocasse, que a tua mão
colheu o fruto da primeira árvore sem que nada
o impedisse.

Amei-te sem ter a certeza da manhã, sem ouvir
o vento que fez bater as janelas num eco do passado,
sem correr as cortinas do mundo para que
ninguém nos visse, sem apagar do teu rosto
o brilho da vida, enquanto as aves dormiam,
e o licor do sonho se derramava sobre os corpos
que cortavam a noite.

Mas ao seguir o seu rumo, o azul
floresceu das cinzas, a música despontou
dos silêncios da madrugada, e os teus olhos
amanheceram quando me disseste que
te amei, sem saber porquê.

NUNO JÚDICE

O meu comentário????
Amei porque te amei
naquele momento....
Com o que tenho
de mais precioso....
Porque é assim que eu vivo o amor....
Existe em mim....
Na verdade de quem sou....
Eu, que te amo
com a única certeza
que tenho na vida....
Amar-te
e dar-te tudo de mim....
Num presente intenso....

4 comentários:

Moi disse...

E amar que seja sempre com a maior das intensidades!

Sofá Amarelo disse...

A maior das coisas boas da vida são... 'sem saber porquê!'

Paixão Lima disse...

Realmente, amar não se explica. Não há uma razão para amar...
É a tal razão que a razão desconhece...
Poema magnífico de N.J.
O comentário poético é um presente intenso...

Álvaro Lins disse...

O poema é lindíssimo..... o comentário... complementa-o:)!
Bjo