segunda-feira, janeiro 31, 2005

EXILADA

"Prefiro que não, amada.
Para que nada nos amarre
e que nada nos una.
Nem a palavra que aromou tua boca,
nem o que disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços perto da janela.
Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.
Deixam uma promessa.
Não voltam nunca mais.
Em cada porto uma mulher espera:
Os marinheiros que beijam e se vão
Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar"
Pablo Neruda - Crepusculario

Como deve ser duro estar-se exilado, saber-se que lá do outro lado do oceano fica a nossa terra e que temos o acesso vedado!
Talvez seja por isso que ele se compara aos marinheiros - a sua lealdade é para com o mar, mesmo que este lhes roube a vida!
Hoje, sinto - me exilada.
Estou no meu próprio País, onde nasci e criei raízes e sinto-me exilada.
Creio que foi a Florbela Espanca que falou nessa dor .... eu hoje identifico-me com ela!!

1 comentário:

Carmem L Vilanova disse...

Passei para deixar-te um beijo e o desejo de uma linda semana que se inicia!
Está bem bonito este poema, e, claro, o teu comentário também... Concordo com o que dizes, pois, de estar no país dos outros, na casa dos outros, sinto-me também, exilada...
Bjinhos!