quinta-feira, outubro 27, 2005

CHUVA

Eugénio de Andrade

Casa na Chuva

A chuva, outra vez a chuva
Sobre as oliveiras
Não sei porque voltou esta tarde
Se a minha mãe já se foi embora,
Já não vem à varanda para a ver cair,
Já não levanta os olhos da costura
Para perguntar:
Ouves?
Oiço, mãe, é outra vez a chuva,
A chuva sobre o teu rosto

Às vezes, também me sinto impotente quando vejo a minha Mãe, perfeitamente mergulhada na sua velhice, sem vontade até para falar!

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