segunda-feira, setembro 07, 2009

DESFECHO

TRÊS OU QUATRO SÍLABAS


Neste país

onde se morre de coração inacabado

deixarei apenas três ou quatro sílabas

de cal viva junto à água.


É só o que me resta

e o bosque inocente do teu peito

meu tresloucado e doce e frágil

pássaro das areias apagadas.


Que estranho ofício o meu

procurar rente ao chão

uma folha entre a poeira e o sono

húmida ainda do primeiro sol.


Eugénio de Andrade
O meu comentário????
O amor....
Os vários tipos de amor...
Aos tropeções
no meio das guerras e outro tipo de violências...
O amor...
Nos olhares que ainda esperam...
Pela paz, pelo brilho do sol...
Pela amizade que se sopra aos ouvidos..
O nunca desistir...
Ou o desistir...
Quando tudo o que resta,
é o vazio...
O desfecho mais cruel...

5 comentários:

cristinasiqueira disse...

oi Marta,
È com prazer que visito este teu espaço nesta nebulosa madrugada.
Éugenio de Andrade,Hilda Hilst,Garcia Lorca,Florbela Espanca,
que recepção!Que acolhida!
Gostei de ler seu comentário em meu blog.Temos em comum a poesia.
Tem post novo no
www.cristinasiqueira.blogspot.com
Aguardo sua visita.Com carinho,

Cris

a magia da noite disse...

o vazio é uma casa que alguém deixou desabitada, mas que conserva nas paredes os quadros de quem lá viveu.

. Paulo . Intemporal . disse...

. sempre e para sempre .

. sobre o amor .

. a ser asa . rasa . a casa .

. a eternizar toda a terra .

. na raiz de um beijo sublime .

. outro, o meu .

Graça Pires disse...

"Neste país onde se morre de coração inacabado". Quem mais falará assim?
O teu comentário, entre o desistir e o não desistir fala de olhares que ainda esperam... Lindo!
Um beijo.

Graça disse...

E como Eugénio dizia sempre tão bem!

Do teu comentário destaco "O nunca desistir/Ou o desistir..."____ e tudo se resume a isso. No amor, como na vida.


Um beijo meu.