domingo, fevereiro 20, 2011

ETERNAMENTE

a língua sobre a pele   o arrepio
os teus dedos na escada do meu corpo

as lâminas do amor  o fogo  a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

a palavra mordida entre os lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

da mesma esquina sempre o mesmo olhar
nada do que era teu vou devolver

de Alice Vieira "Pelas Mãos e pelos Olhos eu juro"

O meu comentário???
Não, nunca poderá ser devolvido...
Podemos pintar a casa, 
envernizar o chão...
Escolher outro perfume,
outro padrão para os lençóis....
Até mesmo mudar de casa,
de bairro.....
Mas será inútil....
Porque amar dessa maneira,
marcou-nos o tempo,
o corpo....
Falará connosco,
mesmo que em segredo,
eternamente 

5 comentários:

Daniel Costa disse...

Marta

Alice Vieira, marcom com um poema profundo. A tua leitura, parce-me acertada.
Beijos

Graça Pires disse...

Penso como tu: nada pode ser devolvido daquilo que ao amor diz respeito.
A Alice Vieira demonstrou-nos ser muito mais que uma escritora de crianças. Gosto da poesia dela

Graça Pires disse...

Faltou-me mandar-te um beijo.

MCampos disse...

É tão pouco conhecida a poesia de Alice Vieira. Eu gosto. Como também gostei do seu comentário, Marta, sempre um poema, a partir de outro poema. 'Falará connosco,/mesmo que em segredo/eternamente". Tão verdade.(Quem sabe um dia me dá a honra de comentar um dos meus escritos.)

Um beijinho.

Secreta disse...

Não se devolve o que guardamos dentro do peito.
Beijito.