quarta-feira, agosto 06, 2008

ABERTURA COMPLETA

Poema do Homem Só




Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.

Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nehum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.

António Gedeão


O meu comentário???



Permanece intacto....


Esse sentimento de que falta qualquer coisa....


Nada nos completa....


A sensibilidade extrema....


....um calcanhar de Aquiles....


............mas a abertura completa da alma....


Uma solidão inexplicável....mas real....


Todos os sentimentos expostos num olhar....


Num poema....num abraço....


Inteiramente nosso.....

4 comentários:

O Autor, disse...

Simples e, ao mesmo tempo, grande!

Belo!

Nilson Barcelli disse...

O teu comentário ao poema é excelente.
Falta qualquer coisa... nada nos completa... abertura da alma (fragilidade...?), tudo num olhar...
O poema do Gedeão nem comento... digo só quem me dera escrever assim...

Beijinhos cara amiga

daniel disse...

Marta

António Gedeão é um referência, escolheste bem.
E também achei o teu comentário réplica interessante.
Daniel

Sol da meia noite disse...

Solidão que passa pelas encostas da vida, deixando que a vida passe... e siga...

Beijinho *